Goiás faz propaganda machista por não entender o verbo #EleNão

Olhares sensuais de mulheres super maquiadas. Close nos seios. Novos rostos femininos com caras e bocas. Mais closes nos seios. Por mais inacreditável que pareça, o assunto aqui é: lançamento do novo uniforme de um clube de futebol. No vídeo, em nenhum momento as modelos aparecem como jogadoras, ou sequer torcedoras do clube. A propaganda é clara: tenta vender o novo ‘manto’ através da sensualidade e sexualização dos corpos femininos. Pois é, o Goiás não aprendeu nada com 2018.

Vimos no ano passado, grandes manifestações nas ruas que gritaram #EleNão, mas enganou-se quem pensou que ‘ele’ era somente Jair Messias Bolsonaro. Os gritos de #EleNão foram para toda representação desse patriarcado. #EleNão à toda tentativa sexualizar os corpos femininos. #EleNão à essa sociedade racista. #EleNão ao machismo. #EleNão ao conservadorismo de araque que tenta se instalar no país. #EleNão virou verbo, e o verbo não se fez carne, se fez movimento.

Por ser durante muitos anos considerado “esporte de macho”, o futebol abria espaço para as mulheres apenas se fosse para elas exibirem seus corpos. Não como atletas, para exibirem seus talentos no esporte, e sim como objetos sexuais, para agraciar a libido daqueles homens héteros, bravos, bêbados e nojentos. Estamos ainda, como sociedade, deveras longe de dar às mulheres o mesmo espaço, valor e respeito quando o assunto é os gramados, mas estamos no caminho certo.

Assistimos recentemente, alguns com bom ânimo e outros com críticas grotescas, a Copa do Mundo de Futebol Feminino ganhar espaço na principal emissora do país, manchetes nos principais sites esportivos e propagandas exaltando a importância dessa modalidade. E tudo isso gera, a cada dia que passa, o devido pensamento de respeito mútuo entre os gêneros quando o assunto é o esporte.

O mundo está mudando. Por mais que ondas conservadoras e politicamente incorretas tentem manter a sociedade nas trevas da ignorância e nos abismos da desigualdade social e de gênero, existem aqueles que cansaram de tudo isso e esses fazem com que até os ambientes mais inóspitos precisem se adaptar aos novos tempos.

Por mais que a política brasileira ainda esteja tomada por machistas, pseudo religiosos intolerantes e homens sexualmente frustrados, que tentam diariamente rebaixar a figura feminina e negar às pessoas desse gênero o respeito e espaço ao qual elas têm direito, boa parte da população não aceitará mais esse aceno ao século passado. A mesma máxima vale para o racismo, xenofobia, homofobia e demais crueldades que o ser humano é capaz de elaborar. Para tudo isso gritamos #EleNão.

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Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como Band Paraná, RICTV Record e Gazeta do Povo. Atualmente acompanha a pauta socioambiental nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo pelo Instituto Socioambiental.

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