Um encontro com o meu eu adolescente

A vida me fez “ser adulto” muito cedo. Com o acúmulo da quantidade e o aumento da complexidade das responsabilidades e, principalmente, com a graduação em direito, o meu hábito de leitura mudou completamente.

Na verdade eu comecei a perceber isso já no final do ensino médio quando comecei a ler os livros das Crônicas de Gelo e Fogo e não consegui passar do terceiro livro por falta de tempo na minha rotina que envolvia estudar pro terceiro ano, pro vestibular e dar conta do estágio no TRT. Não que eu não tenha tido tempo pra voltar a ler depois, mas nesse depois eu já era outro, a minha vida e as minhas prioridades já eram outras e o Jorge que começou e não terminou as Crônicas de Gelo e Fogo ficou lá entre 2012 e 2013.

Aqui eu preciso destacar que não estou fazendo Juízo de valor entre o que eu lia antes e o que leio agora, mas se precisasse fazer, não se surpreendam caso eu tenha mais carinho pelas leituras iniciais. Lembro que comecei a lendo gibis da Turma da Mônica e que nunca mais parei de ler depois disso. Qualquer leitura é importante

Foi também nessa transição do ensino médio para a graduação que eu intensifiquei muito (e de forma independente) os estudos sobre relações raciais em paralelo com a demanda de leituras que o curso superior exige. Não me arrependo de forma alguma das minhas leituras mais técnicas, por assim dizer, mas sinto falta das leituras mais doces, mais descontraídas, de ler Harry Potter, Percy Jackson, O Pequeno Príncipe, A Seleção etc.

Dentro desse universo das leituras adolescentes, uma saga que me marcou muito foi a Crepúsculo. Lembro de ter lido todos os livros e assistir todos os filmes muito empolgado. De debater teorias com os amigos e acompanhar os fóruns de internet. No entanto, o último filme foi lançado em 15 de novembro de 2012. Eu acreditava que aquele Jorge não existia mais, que até as minhas leituras de lazer são outras e que não havia mais espaço para ler sobre o romance entre um vampiro com mais de 100 anos e uma adolescente desajeitada. Ledo engano.

Recentemente a autora Stephenie Meyer lançou um quarto livro para a saga, recontando a história sob a ótica de Edward (o vampiro centenário). Eu comecei a ler muito despretensiosamente e não esperava ser tomado por tanta nostalgia. Foi um encontro muito gostoso entre o Jorge advogado de 2020 e o Jorge adolescente que ainda nem tinha decidido cursar direito.

Me vi, ao mesmo tempo, preso nos pensamentos de Edward recontando a história que já conheço sobre ele e a Bella e refletindo sobre o quanto eu mudei entre aquela e essa história e sobre o quanto ambas as histórias são tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes.

No fim, fiquei aliviado por perceber que mesmo tendo percorrido um caminho “tão adulto”, ainda há em mim espaço pra para me empolgar com algo que foge tanto à minha realidade atualmente. O encontro deste Jorge com o outro Jorge só me mostrou que o Jorge ainda é o mesmo (confuso né? A vida também é).

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