Novidade de mulher

Recentemente eu tomei uma decisão muito importante e desafiadora. E, como não poderia deixar de ser, quis contar para alguns amigos próximos. O resultado foi bem peculiar, pra dizer o mínimo.

Tudo começa com a frase “tenho uma novidade para te contar”. Aqui, antes de contar o que aconteceu, vou sugerir que você, caro leitor, cara leitora, faça o teste. Eu garanto que as respostas serão muito diferentes para homens e mulheres.

Quando um homem diz que tem uma novidade, a primeira coisa que passa na cabeça dos amigos e da família é uma promoção no trabalho, um novo projeto profissional, alguma coisa que vai torna-lo ainda mais importante e influente.

Mulher quando diz que tem novidade (ou quando não está se sentindo bem por algum motivo), só pode ser gravidez. É a primeira coisa que passa na cabeça de quem nos ouve. É como se nossa existência tivesse única e exclusivamente a finalidade de reprodução.

Todo mundo que me conhece bem sabe que ter filhos não está nos meus planos. Se você é meu amigo e não sabe que eu não pretendo engravidar nem que a sobrevivência do planeta Terra esteja em discussão, talvez você não seja tão próximo de mim quanto pensa.

Mesmo assim, quando eu disse que tinha uma novidade para contar, 90% das pessoas que ouviram essa frase vieram com um “tá grávida?” como resposta. E é extremamente frustrante ter uma novidade incrível para dividir com as pessoas que eu amo e ouvir essa resposta de gente que me conhece muito bem.

Esse não foi um caso isolado. Há dois anos, eu fui promovida no trabalho e mudei de cidade. Adivinhem qual foi a reação da maior parte das pessoas à essa novidade? Óbvio, o famoso “tá grávida?”.

Isso sem contar a necessidade que todo mundo tem de me perguntar quando eu vou ter filhos. E aqui eu não falo só dos meus amigos e da minha família. Pessoas que eu acabei de conhecer se acham no direito (e na intimidade) de me perguntar sobre quando eu vou ser mãe.

E a pergunta nunca é no condicional. Nunca é “você quer ter filhos?” – o que, fica a dica, também não seria aceitável perguntar a uma mulher com quem você não tem intimidade. A pergunta é sempre “quando você vai ter filhos?”, como se fosse minha obrigação e minha única função no mundo.

Já aconteceu do meu marido me apresentar como jornalista setorista de polícia nacional para um casal de amigos e a pergunta deles ser: “e quando vocês vão ter filhos?”. Com todo respeito às mães e a quem sonha ter uma família grande, cheia de filhos – o que afinal, é uma escolha tão legítima quanto a minha -, mas eu acho muito mais legal conversar sobre política do que sobre bebês que nunca vão nascer.

Apenas parem de ser assim, por favor.

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