O Viaduto que caiu

Essa é uma das minhas histórias preferidas na vida. Foi o dia em que eu e uma amiga derrubamos um viaduto. Ok, mais ou menos. 

Era uma tarde qualquer de 2012 e eu estava começando um estágio em jornalismo que era a minha primeira oportunidade de entrar em contato com o que a gente chama de “hard news”, o noticiário frenético do dia a dia. 

Eu passava o dia com o rádio ligado enquanto trabalhava para não perder nenhuma noticia que fosse importante. Eis que estava fazendo alguma coisa que não me lembro, quando Fabiana, minha amiga, na época minha chefe, bate na mesa desesperada, assustadíssima, e diz: 

“Caiu o viaduto do Capanema. Liga no Copom agora!”

Ela, que estava mais atenta ao rádio do que eu, pescou essa notícia enquanto um repórter narrava (segundo ela) cenas de terror, com destroços caindo na rua que passava debaixo do viaduto. 

Aqui vale uma breve explicação. O Viaduto do Capanema é uma via importante de acesso ao Centro de Curitiba, que fica próxima à rodoviária. Qualquer acidente naquela região é sinônimo de caos. Ainda mais se for a queda de um viaduto, com dezenas de pessoas feridas. Na minha cabeça, o que se desenrolava não muito longe da redação era um cenário de guerra, pra dizer o mínimo. 

Eu, diligente que sou, mais do que depressa peguei o telefone e liguei para o Corpo de Bombeiros. 

“Oi, tudo bem? Aqui é a Kelli, do jornal tal. Eu ouvi na rádio que o Viaduto do Capanema caiu, é verdade?”. (Imagine essa frase com um tom de voz levemente desesperado e muito apressado para colher todas as informações necessárias sobre essa tragédia.) 

O homem que me atendeu, rindo (lógico), respondeu: 

“Não, moça. Quem caiu foi um motoqueiro. O viaduto ainda está lá”. 

Eu poderia desligar o telefone e nunca mais ligar para o Corpo de Bombeiros na minha vida? Não. Afinal, esse contato era parte essencial do meu trabalho de estagiária. Então continuei colhendo as informações sobre o acidente com o rapaz, muito solícito e divertido, que me atendeu. 

Naquele dia eu aprendi uma importante lição do jornalismo: não acredite em testemunhos de terceiros. E tente parecer menos maluca quando for checar uma informação improvável.

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