Independência para quem?

Estreio neste espaço aqui no Regra dos Terços na semana de uma data célebre da história do Brasil, a Independência. Mas perto de completar 200 anos da ocasião em que nos tornamos ao menos formalmente independentes de Portugal, ainda que o passado nos mostre a constituição de uma série de outras dependências diversas, paira a pergunta no ar: independência para quem?

(Foto: Pixabay)

Vivemos tempos no mínimo estranhos. A extrema direita liderada por Jair Bolsonaro apropriou-se dos símbolos nacionais e faz da nossa bandeira e de conceitos como nacionalismo e patriotismo elementos vinculados apenas a conservadores. Uma mentira habilmente proliferada por estratégias eficazes de comunicação.

Bolsonaro e sua horda de seguidores fanatizados proclamam-se patriotas. Mas a prática política deles aponta um patriotismo sui generis, que não resiste a cinco minutos de análise. Que patriotismo é esse cuja premissa econômica é um projeto de entrega do patrimônio público a megacorporações estrangeiras por valores irrisórios? A continência prestada à bandeira estadunidense, motivo de chacota mundo afora e reveladora de uma postura incondizente de um chefe de Estado, foi apenas a faceta simbólica de um governo perverso que visa a destruição nacional escondida sob um manto de falso amor à pátria e valores familiares.

Muito além de uma data para comemorar, precisamos resgatar o conceito de soberania nacional, arduamente construído sob a liderança de Getúlio Vargas. Estabelecer um diálogo franco, inclusive entre adversários políticos de outrora, e buscar de forma fraternal estabelecer consensos em torno de saídas que impeçam o êxito do bolsonarismo, que utiliza a máquina de Estado para impor a censura e atacar o conhecimento, a ciência, as artes e a cultura nacionais, e junto com os trabalhadores em suas diversas formas e a imensa massa crescente de excluídos, buscar construir saídas para uma das maiores crises de nossa História.

É urgente um debate nacional amplo em torno da defesa da Petrobras, da Eletrobras, Embraer, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Como se diz no ditado popular, não podemos jogar fora a água do banho com o bebê dentro. Se é necessário reconhecer os problemas e desvios na gestão de algumas estatais, não podemos cair na cantilena liberal de abrir mão do que elas representam na produção de riqueza e serviços aos brasileiros de forma soberana.

A dois anos do bicentenário da Independência, precisamos atuar com firmeza para que ainda exista um país em 2022.

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