Governos autoritários violam os direitos dos profissionais de saúde durante a pandemia para manter controle sobre a população

Dentre as violações estão as faltas de condições de trabalho para o exercício da profissão e a punição para aqueles que levam informações sobre a situação do país em relação a covid-19; os dados estão no relatório da Anistia Internacional 

Rússia, China, Turquia, Paquistão, Egito e Filipinas são alguns dos países mencionados no relatório da Anistia Internacional (AI) que denuncia inúmeros casos de “restrições e instruções para impedir que a equipe de saúde (…) expresse sua preocupação”, cerca de 30 países são mencionados no documento.

A denúncia mostra que nos mais de 180 dias da pandemia do novo coronavírus, os governos autoritários ou liderados por homens “fortes” usaram seu poder para reforçar o controle sobre a população, silenciando os profissionais de saúde que enfrentam as determinações do governo seja levando mais informação até a população ou ainda pedindo melhores condições de trabalho. Entretanto, se o controle aumentou, a forma como estão conduzindo a crise, geralmente de maneira caótica, prejudicou a imagem desses países e reputação de eficiência.

O documento traz diversos exemplos da opressão dos governos aos profissionais de saúde, como a manifestação dos médicos no Paquistão dispersada com violência. Os profissionais protestavam por melhores condições de trabalho e denunciam a falta de recursos.

Na China, o oftalmologista Li Wenliang foi punido pelas autoridades após emitir um alerta da doença em dezembro de 2019, o médico morreu em fevereiro deste ano vítima da covid-19.

Com alegações de combater a desinformação, a Rússia e várias ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso adotaram leis que proíbem a divulgação de determinadas notícias sobre a pandemia. Na Ásia Central, outros abusos de poder foram identificados, como o caso de estudantes de medicina obrigados a trabalhar sem salário e sem proteção suficiente.

A denuncia da Anistia Internacional ainda traz o caso do Egito onde “as autoridades usaram acusações amplas e imprecisas, como ‘espalhar notícias falsas’ ou ‘terrorismo’ para prender arbitrariamente” médicos e farmacêuticos.

REFORÇO DA IMAGEM DE UM SISTEMA FORTE DIANTE DA PANDEMIA

Seja na China, Turquia, Rússia ou na Ásia Central, “os governos autoritários que querem projetar a imagem de sistemas fortes, mais capazes do que as democracias em administrar este tipo de problema, tomaram diferentes medidas para aumentar seu controle e garantir que não exista nenhuma informação ou opinião alternativa”, explicou Benno Zogg, pesquisador em política internacional do Centro para Estudos de Segurança (CSS), com sede na Suíça, em uma entrevista para a Agence France-Presse (AFP).

Além disso, estes mesmos governos aceleraram os investimentos em tecnologia – geolocalização por GPS, câmeras de vigilância, reconhecimento facial, verificação de identidade – para, segundo eles, conter a pandemia. Porém, “uma vez que instalem as ferramentas de vigilância, supostamente para controlar o tráfico ou o crime, elas podem ser usadas permanentemente e também na próxima crise”, destacou Zogg.

Para Zoog todos esses governos mostraram sua verdadeira natureza, ou seja, que se preocupam mais com a economia do que com a saúde “preferem parecer fortes e manter a ordem do que curar as pessoas”, acrescenta.

Estados Unidos e Brasil também apareceram no documento com líderes que apresentaram soluções milagrosas como hidroxicloroquina.

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