Falta de participação da população na política do DF foi uma das análises do Regra Política de hoje

Além da avaliação da política do Distrito Federal, conduta da esquerda e do ministro do Meio Ambiente também receberam críticas da entrevistada que é líder regional dos movimentos de renovação política

Taynara Melo, uma das líderes do movimento Acredito e filiada a Rede Sustentabilidade, disse nesta quarta-feira (14/10), ao programa Regra Política, do site Regra dos Terços, que a falta de interesse da população na política local do Distrito Federal está ligada ao fato da Câmara Legislativa está subordinada aos governos. Para ela, isso acaba afastando aqueles que querem ter uma participação independente. Críticas à ala esquerda e ao Ministério do Meio Ambiente, conduzido por Salles, também fizeram parte da entrevista. 

“A CLDF [Câmara Legislativa do Distrito Federal] é muito subordinada a todos os governos e é vista como uma instituição de negociação e de base de organização do governo distrital e, por isso, esse distanciamento dos movimentos culturais, comunitários e ambientalistas que são tão importantes para a dinâmica da cidade”, destacou Taynara. “Eu arrisco dizer que esses grupos são bem mais fortes do que os movimentos político-partidários”, frisou, onde para ela, essa força se dá por conta da não vinculação aos interesses de quem chefia o executivo local. 

Outro ponto que acaba desestimulando um destaque maior da política do DF, segundo Taynara, é o fato de muitas vezes, essa política estar sendo conduzida pelo cenário nacional, o que acaba influenciando toda a dinâmica institucional da região. Para ela, isso atinge principalmente os partidos. “E aí você vê grandes distorções de partidos tradicionalmente à esquerda, como por exemplo o PDT, que está acompanhando o governo do Ibaneis Rocha que é exatamente o copia e cola do Bolsonaro aqui no Distrito Federal “, afirmou. 

Taynara não só apontou a conduta da CLDF como um grande fator pela falta de participação e interesse da população na política local. De acordo com a jovem, há três elementos centrais: o primeiro seria a elitização do discurso, da postura e do comportamento do campo progressista que acaba dando visibilidade somente em quem tem um histórico vinculado ao espaço acadêmico.  “A esquerda daqui tem um discurso muito elitista,  tem uma forma muito soberba de fazer política “, reclamou.

O segundo motivo, para a líder do movimento Acredito, é o poder econômico, que acaba impedindo aqueles que não tem condição de bancar uma candidatura.  “É uma disputa que não é leal e igual. Na minha campanha, eu gastei R$ 19 mil  e arrecadei através de vaquinhas, doações e empréstimos. Quando a gente consegue se comunicar e chegar nas pessoas, elas gostam e acham que educação, justiça social e meio ambiente são importantes. Mas não temos como chegar nelas, porque a gente não tem dinheiro e estrutura. E as outras pessoas que disputam com a gente fazem abuso de poder econômico, compram votos”, disse. 

O terceiro e último elemento que impede uma maior participação na política, é a forma com que os partidos do DF se organizam, de acordo com Taynara. “Eles são muito antiquados, chatos. Vários amigos e conhecidos já abandonaram esses espaços porque não é assim que a gente quer fazer política, não é com essa burocracia. Então as pessoas preferem e se sentem mais vivas e mais participativas na política fazendo uma política comunitária do que estando nesses espaços “, criticou.

Conduta de Ricardo Salles 

As exonerações que ocorreram no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a ideia de fundir o órgão fiscalizador com o  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) para Taynara, são elementos escandalosos que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anda fazendo. 

“Então você está dando carta verde, eles basicamente falam assim: o que houver estruturado e que vai impedir o desmatamento, eu vou barrar para que o desmatamento aconteça. Cabe a nós conseguir dar visibilidade e conseguir trazer o mínimo de conscientização para a população e mostrar o quanto que isso a médio e longo prazo vai degradar o país “, pontuou.

Reveja a entrevista.

*Matéria feita pelo estagiário André Phelipe, com a supervisão de Raphaella Caçapava

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