Salles aciona AGU contra ambientalista e jornalista aponta sinais de perseguição

Jornalista criticou a postura do ministro do Meio Ambiente que, após sofrer críticas sobre a frase “passar a boiada”, acionou Advocacia-Geral da União para que secretário-executivo do Observatório prestasse esclarecimentos

O acionamento à Advocacia-Geral da União (AGU) feito pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para notificar o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, por uma declaração dada contra o chefe da pasta, foi um dos temas do programa Regra Política, do site Regra dos Terços. O jornalista Erick Mota, que comanda o programa, ironizou o ocorrido e ressaltou que o episódio é um bom exemplo de autoritarismo. 

“Hey, presta atenção em mim que eu tenho um recado importante: não pode dizer por aí que, na reunião ministerial do dia 22 de abril, nós vimos um ministro em uma conversa de comparsas, convocando para – em plena pandemia -, quando todo mundo estava preocupado em manter a vida, fazer uma força-tarefa para destruir o meio ambiente. Não pode dizer isso porque Salles pode ficar magoado”, disse o comunicador.

Astrini, em 25 de maio deste ano, em entrevista ao jornal “O Globo”, criticou o ministro pela frase dita na reunião ministerial de abril, onde Salles falou que o governo deveria aproveitar que a imprensa estava focada na pandemia e ir “passando a boiada” no meio ambiente. A opinião do secretário-executivo do Observatório do Clima incomodou Ricardo e pediu ao órgão que Márcio dê explicações do que falou.

“A gente viu um ministro de estado numa conversa de comparsas convocando para aproveitar o momento da pandemia, em que todo mundo está preocupado com a vida, para fazer uma força-tarefa de destruição do meio ambiente”, disse Astrini na época em entrevista ao jornal.

Organizações, pesquisadores e representantes da sociedade civil assinaram uma nota de repúdio da “tentativa de intimidação” de Salles e criticaram o uso da AGU pelo ministro, ao todo o documento conta com 100 assinaturas.

Críticas proibidas  

Erick Mota contou no programa de hoje que quem tece críticas ao governo, está sujeito a sanções e perseguições. “Bem Ricardo Salles, eu te critico dia sim e dia não, vai me notificar também?  Vai me processar também?”, questionou o jornalista. 

O apresentador do Regra Política ainda enfatizou que a atitude de Salles está cada vez mais recorrente e que algo precisa ser feito para barrá-lo. “Se nós não nos unirmos para frear esse tipo de abuso, de autoritarismo, ele vai se tornar cada vez mais comum e vai fazer com que, aos poucos, a mordaça seja bem amarrada em bem apertada no entorno da gente”, explicou.

Mais adiante, Mota pontuou que  “não está nem um pouco afim de viver em um país autoritário”.  “Uma coisa que eu já deixei claro para toda minha família é que se nós em algum momento vivermos realmente uma ditadura, pode me dar adeus porque eu estou na linha de frente e não vou abandonar, eu vou enfrentar”, afirmou.

Assista o vídeo que Ricardo Salles não quer que você assista:

*Matéria feita pelo estagiário André Phelipe, com a supervisão de Raphaella Caçapava

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