“É UMA CORRIDA DE OBSTÁCULOS”, DIZ ROBERTA EUGÊNIO SOBRE A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DE MULHERES

Nesta terça-feira (9) as jornalistas Kelli Kadanus e Raphaela Caçapava conversaram com a advogada e pesquisadora do Instituto Alziras, Roberta Eugênio, sobre a participação de mulheres na política, que ainda é tímida e cheia de empecilhos. “Quando nós falamos sobre o destaque dentro de espaços do poder eletivo, nós ainda encontramos essas barreiras que atuam de forma complexa e integrada para que elas continuem afastadas da política”, afirmou Roberta.

Uma das barreiras que contribuem para a baixa representatividade de mulheres no Congresso, segundo a advogada, é a omissão da gravidade da pauta por parte das instituições, do poder público e de todo país que trata o assunto como problema exclusivo das mulheres. “A gente não olha pra ele como um tema que afeta toda a nossa sociedade, e o que acontece. Essas barreiras vão passar pelos recursos, espaços e cargos de direção dentro dos partidos”, pontua.

Roberta Eugênio lembra que embora as mulheres sejam maioria dentre os filiados, isso não se reflete na ocupação dentro dos cargos mais altos dos partidos. “Elas estão subrepresentadas dentro dos próprios partidos, ou seja, acabam tendo pouco gerenciamento desses recursos, pouca voz”.

Outro grande problema enfrentado pelas candidatas e eleitas é a violência política. Em março de 2018, a vereadora Marielle Franco foi assassinada por milicianos no Rio de Janeiro, o caso até hoje não foi resolvido. Em dezembro do ano passado, a deputada estadual Isa Penna (Psol/SP) foi assediada sexualmente pelo deputado Fernando Cury (Cidadania/SP) dentro do Plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e o Conselho de Ética apenas estuda suspender o parlamentar por quatro meses pelo crime cometido.

Embora a violência praticada de várias formas dentro e fora dos Plenários ainda seja um problema pouco discutido e visto como uma das barreiras para o ingresso de mais mulheres em cargos eletivos, a pesquisadora acredita que o primeiro passo, de reconhecer que esse não é um problema individual e sim de toda a população, é um início para começar a solucionar a questão.

“A violência política não é um tema simples de ser resolvido. Ela estrutura e organiza esse modelo conservador, masculino que temos na política. Exemplos de países que já atingiram a paridade como a Bolívia e o México, demonstram para nós como esse problema não se resolve apenas com o problema da sub-representação, ela ajuda mas não soluciona o problema”, afirma.

Roberta Eugênio é formada em direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mestre em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A advogada foi assessora da vereadora Marielle Franco, até março de 2018, mês em que a vereadora foi assassinada por milicianos no Rio de Janeiro.

A pesquisadora tem atuação profissional e acadêmica dedicada às temáticas dos direitos humanos e do enfrentamento do racismo e da violência política de gênero e raça. Atualmente está no Instituto Alziras, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo ampliar e fortalecer a presença de mulheres na política e na gestão pública.

A entrevista completa está disponível no canal do Regra no Youtube.

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