MAIS DE 50 MIL INDÍGENAS JÁ FORAM CONTAMINADOS PELA COVID-19

A pandemia do novo coronavírus já contaminou 50.259 indígenas, de 163 povos diferentes e matou ao menos 994. Destes, 44.362 indígenas contaminados e 594 vítimas fatais da Covid-19 estavam em seus territórios. Para discutir esse cenário e medidas de enfrentamento, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas se reunirá nesta quinta-feira (11) por videoconferência.

Com o agravamento da pandemia no Brasil, o governo federal ainda não adotou medidas adequadas para atendimento dos povos indígenas. A Lei nº 14.021/20, sancionada em julho de 2020, jamais teve atenção do governo e os povos indígenas enfrentam a pandemia sem o apoio emergencial. Além disso, houve também aumento de invasões de territórios indígenas por garimpeiros, madeireiros ilegais e outros invasores.

Foto:  Marcos Corrêa/PR/Palácio do Planalto

Sem a assistência alimentar, os povos foram obrigados a se deslocar para as grandes metrópoles, se contaminando e levando o vírus para as aldeias. Levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) mostra que logo no início da pandemia, o atendimento da Funai com cestas básicas não foi o suficiente, aumentando a desnutrição e, com isso, a vulnerabilidade à Covid-19.

Apesar de suspender entradas em terras indígenas, o governo ignorou invasões de garimpeiros e madeireiros e dificultou a comunicação das comunidades. Durante a pandemia o governo permitiu, através da instrução normativa da Funai 9/2020, que não indígenas permaneçam em terras indígenas e negociem imóveis nas regiões.

O governo utilizou apenas 39% dos recursos destinados a frear a pandemia entre os povos indígenas. Mais de 324,8 mil indígenas que vivem nas cidades ficaram sem atendimento específico, já que não estão nos dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Sem o devido apoio, as próprias comunidades indígenas tiveram que criar suas alterativas de prevenção. Criaram as barreiras sanitárias indígenas, o que foram, inclusive, desconsideradas pelo governo.

No dia 1.º de abril de 2020, no Amazonas, um agente de saúde indígena foi contaminado por um médico que voltava de férias. O governo não adotou medidas de quarentena e, como resultado, o vírus contaminou o primeiro indígena.

Em 9 de abril o primeiro indígena, da etnia Yanomami, morreu vítima da Covid-19. Ao menos 108 profissionais do Distrito Indígena Yanomami testaram positivo para o vírus na época. A pandemia também vitimou várias lideranças indígenas históricas e de referência nacional e, recentemente, o último homem do povo Juma, Aruká Juma, tinha entre 86 e 90 anos, do estado de Rondônia, morreu de Covid-19.

*Fonte: Frente Parlamentar Indígena

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