A SOCIEDADE DO CANSAÇO

Você entra em uma livraria ou site de vendas de livros e o destaque são os títulos que, com palavras diferentes e frases de efeito dizem a mesma coisa “você pode tudo”, “faça”, “nós podemos”. E o que poderia ser uma obra de apoio e, em muitos dos casos, até vem acompanhado de boas intenções, é simplesmente reflexo de uma sociedade em que o excesso de positividade está gerando diversos problemas, dentre eles, uma enorme exaustão.

Os dados sobre cansaço e falta de sono, não só no Brasil, como no mundo, alarmam. Para o filósofo coreano Byung-chul Han, em seu livro “A sociedade do cansaço” a epidemia de nossa época é o excesso de positividade. O autor considera o problema como uma patologia neural que culminou no desenvolvimento de uma sociedade do desempenho em que a produtividade se torna um norte para as pessoas.

Quem trouxe essa importante discussão à tona aqui na página foi a aluna @steanacleto, a Stephany, que me recomendou esse livro do Han exatamente como um contraponto para a “disciplina é liberdade”, o que justificou a criação desse post para discutir o que é realmente “disciplina” ou o que queremos ou podemos dizer com isso.

A sociedade disciplinar discutida por Foucault torna realmente discutível se o que estamos chamando de disciplina nos deixa mais livres ou nos torna prisioneiros. Para Han, evoluímos dessa sociedade disciplinar para a tal sociedade do desempenho, em que somos igualmente vigiados e sujeitos da obediência.

No post sobre “como ter disciplina nos estudos” entendo a disciplina como um contraponto a essa visão de autoajuda. O objetivo de ter disciplina é justamente entender que não adianta pensar positivo, o conhecimento (e qualquer outro produto que queiramos alcançar) não vem da noite para o dia. Depende de estudar de maneira sistemática, cada dia um pouco. Mas ter disciplina significa saber que precisamos de descanso e lazer assim como precisamos do trabalho. Disciplina não é achar que estudando 12 horas por dia você pode virar o gênio da econometria: é assumir que somos humanos e não máquinas.

E você, o que acha dessa discussão? Deixe sua opinião aqui nos comentários.

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