FRENTE PARLAMENTAR DISCUTE IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO DE POVOS INDÍGENAS

A Covid-19 já afetou mais de 50 mil indígenas no Brasil e matou 994 deles, segundo levantamento do Comitê Nacional de Vida e Memória Indígena. A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) realizou nesta quinta-feira (11) uma reunião virtual para discutir a situação da pandemia entre os povos indígenas. Participaram do encontro representantes de comunidades indígenas, membros da sociedade civil, do Ministério Público e do Ministério da Saúde.

Uma das prioridades para o enfrentamento da pandemia entre os povos indígenas é a vacinação. Representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Robson da Silva apresentou dados sobre a cobertura vacinal durante a reunião.

Foto: Carolina Antunes/PR/Palácio do Planalto

Uma das dificuldades, segundo lideranças que participaram da reunião, é driblar as fake news referentes ao tema e os comandos ambíguos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação ao tema.

“Não temos que culpar o índio que não quer tomar vacina, temos que culpar o presidente que faz uma campanha contra a vacinação”, disse Toya Machineri, representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Para a médica sanitarista Sofia Mendonça, do Projeto Xingu, da Unifesp, é essencial investir em informação a respeito da vacina. “O que a gente tem visto ao longo de todo ano é um discurso ambíguo sobre a pandemia e eles respeitam demais a autoridade. Se essa autoridade se posiciona de maneira ambígua, essa ambiguidade chega até eles”, destaca.

A médica ressaltou a importância dos que indígenas que moram provisoriamente em contextos urbanos também terem acesso à vacinação contra a Covid-19. Também orientou diálogo com as lideranças religiosas nas comunidades para que ajudem na conscientização sobre o uso da vacina.

O procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, do Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul, também destacou a importância da vacinação dos povos indígenas. “É necessário que mais esforços sejam empreendidos para que essa taxa de vacinação atinja níveis de 80%, 85%”, disse.

Falta um plano efetivo de combate à doença entre povos indígenas

A falta de um plano estruturado do governo federal para combater a proliferação da Convid-19 entre os povos indígenas também foi destacada na reunião.

“Das mais de milhares de mortes de nossos parentes e também das pessoas que não são indígenas, culpamos sim o Estado brasileiro de ser genocida e colocar o sangue nas mãos dessas pessoas”, disse Cassimiro Itapewa, representante da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do NE, MG e ES (APOINME).

“Infelizmente, não temos um plano homologado no STF de proteção aos povos indígenas na pandemia”, ressaltou a representante da OAB na reunião, Juliana Batista. “É muito preocupante que com um ano de pandemia o governo não tenha conseguido elaborar um plano de combate a Covid-19 entre povos indígenas”, completou.

“Outro ponto que nos preocupa é o atraso da colocação de barreiras sanitárias nas terras indígenas”, ressaltou Juliana.

“As barreiras sanitárias têm papel fundamental”, concordou o médico sanitarista do Projeto Xingu, Douglas Rodrigues. Para eles, as barreiras sanitárias precisam de duas coisas fundamentais: protocolos sanitários e estrutura operacional adequada.

Papel da Frente Parlamentar

A FPMDDPI se reúne todas as quintas-feiras, às 17 horas, para tratar de temas relacionados aos direitos dos povos indígenas. A principal preocupação do grupo neste momento é o impacto da Covid-19 nas comunidades.

No início da reunião desta semana, a coordenadora da FPMDDPI, deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), se solidarizou com as 272,8 mil vítimas fatais da doença em todo o território nacional. “Não são apenas números, são vidas de brasileiros e brasileiras, milhares de famílias que tiveram a sua vida desestruturada”, disse. “A situação entre os povos indígenas, que são os mais vulneráveis, uma vulnerabilidade histórica, epidemiológica e social, é ainda mais preocupante”, disse a parlamentar.

A coordenadora também lembrou da Lei 14.021/20, construída de forma coletiva e aprovada quase por unanimidade no Congresso Nacional, mas que até o momento não recebeu atenção do governo.

“Quero expressar minha solidariedade aos familiares e parentes de todos os familiares de vítimas da Covid, em especial aos povos indígenas que perderam lideranças importantes”, disse o deputado Nilto Tatto (PT-SP), membro da FPMDDPI.

O parlamentar reforçou a importância da Frente Parlamentar na defesa dos direitos dos povos indígenas durante a pandemia de coronavírus.

“Nós vínhamos denunciando a falta de ação de forma proposital pelo governo Bolsonaro”, disse. Para ele, a Frente Parlamentar fez com que o impacto [da Covid] entre os povos indígenas] não fosse muito pior”. “Ela foi um espaço de resistência e de proposição”, disse Tatto.

*Fonte: Frente Parlamentar Indígena

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