SEM MARIELLE E SEM RESPOSTAS: UMA FERIDA NA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Quem mandou matar Marielle? Essa pergunta assombra a democracia brasileira há três anos e ainda parece muito longe de ser respondida. Na madrugada do dia 14 de março de 2018, a então vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol) e seu motorista, Anderson Gomes, foram brutalmente assassinados em uma emboscada e até hoje não há conclusão sobre o mandante do crime.

O caso de Marielle é o exemplo mais gritante de violência política de gênero no Brasil – embora esteja longe de ser o último. Marielle era socióloga com mestrado em administração pública, negra, feminista, bissexual e criada na favela. A vereadora virou um símbolo internacional da luta pelos direitos humanos. E até hoje ninguém sabe dizer quem violou o direito mais fundamental de Marielle: o direito à vida.

Marielle foi violentada ao menos três vezes. A primeira, com seu assassinato. A segunda, com a falta de respostas sobre os envolvidos no crime e os motivos que levaram à execução da vereadora. E uma terceira, que se perpetua quase todos os dias, quando ela se torna vítima de um assassinato de reputações que tenta desmoralizá-la através de fake news mesmo após toda a violência já sofrida por ela e pela sua família.

Não bastou calar a voz de Marielle através de um crime bárbaro. A violência política não termina nem mesmo com a morte da vereadora. Ela segue firme todos os dias em campanhas de difamação para tentar minimizar a importância da luta de Marielle na política.

As perguntas sem resposta nesse caso não assombram apenas as famílias e amigos das vítimas. Essas perguntas não respondidas – quem matou, quem mandou matar e por quê – são uma mais uma sombra na cada vez mais combalida democracia brasileira.

O caso de Marielle está inteiro cheio de falhas: troca de delegados, possível fraude nas investigações, câmeras do trajeto da noite do crime desligadas, munições usadas para o assassinato que pertenciam à polícia, uma arma do crime que nunca foi encontrada.

Responder quem mandou matar Marielle e por quê é uma pergunta urgente e essencial para a democracia. Uma representante eleita pelo povo foi covardemente assassinada e até hoje ninguém sabe exatamente o motivo. Mais uma mulher teve sua voz silenciada ao ocupar espaços na política e a polícia não consegue responder quem é o responsável.

Não há democracia plena quando crimes políticos como esse passam batido e ficam na gaveta sem solução.

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