“OS ESPAÇOS DE DECISÃO AINDA SÃO MASCULINIZADOS”, DIZ CAROL VENUTO

Nesta terça-feira (17), foi ao ar o terceiro episódio da série Regra Entrevista especial mês da mulher com o tema “mulheres em espaços de decisão”. Há 10 anos, Carol Venuto trabalha como Relações Institucionais e Governamentais (RIG). “Sempre quando uma parcela da sociedade está precisando defender o interesse para uma política pública, para um projeto de lei junto aos tomadores de decisão está exercendo a atividade de RIG”, explica a advogada. 

Carol Venuto, que é presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG), relata que na Instituição há 500 associados entre pessoas físicas e jurídicas. Destes, apenas 30% são mulheres, um cenário muito semelhante à participação de mulheres na política como candidatas e eleitas. 

Para a presidente, a pouca representatividade de mulheres no espaço de decisões se deve aos postos serem masculinizados e desenvolvidos apenas para homens. “Os espaços de decisão ainda são extremamente masculinizados. O poder e todas as ações e políticas que são pensadas dentro dos espaços de poder são pensados por homens e para homens”. 

A advogada assumiu a presidencia da Abrig em julho de 2020, desde então conta que tem buscado incentivar a participação de mais mulheres na Associação.  “A gente acredita que quando a gente tiver mais mulheres exercendo RIG a tendência também é que as políticas públicas sejam mais inclusivas e mais representativas”, diz. 

Para alguns, a atividade de RIG se assemelha ao Lobby, onde um grupo de pessoas busca dialogar com o governo buscando influência. Carol Venuto explica que a expressão não é mais usada na profissão por ser considerada pejorativa e que o papel do RIG é muito mais amplo. 

De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações a profissão de Relações Institucionais e Governamentais, conhecida pela sigla RIG, abrange mais de 90 habilidades, tornando-o muito mais amplo do que o Lobby. “O lobista é o mensageiro. É aquela pessoa que vai no gabinete de um deputado ou na antessala de um ministro defender o interesse da pessoa que ele representa. O profissional de RIG, além de mensageiro, ele também constrói a mensagem”, esclarece Carol Venuto. 

Após membros do governo serem denunciados e investigados pela Polícia Federal, a profissão de RIG e Lobby, por lidarem diretamente com políticos, começou a ser vista com certa desconfiança e de forma pejorativa pela sociedade. Carol Venuto explica que o Lobby não é regulamentado, mas é uma atividade legal e constitucional. “A própria Constituição traz informações que dão essas informações, o direito de petição, a caracterização da nossa democracia ser pluralista”, diz.   

Carol Venuto é especialista em direito público pela Faculdade Projeção e em Ciência Política pela União Pioneira de Integração Social (Upis), atua há 10 anos com Relações Institucionais e Governamentais (RIG) em órgãos do governo, empresas privadas e consultorias políticas. Em 2017, fundou a Ética Inteligência Política, com o objetivo de prestar consultorias a empresas. Você pode conferir a entrevista completa no canal do Regra. 

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