DESBRAVANDO O MUNDO DOS INVESTIMENTOS – PARTE 3.4: OS DERIVATIVOS

Olá querido leitor/querida leitora!

Na coluna de hoje, vamos finalizar nossa parte de renda variável da minissérie “Desbravando o mundo dos investimentos” com um tema um pouco mais complexo, mas ao mesmo tempo instigante: os derivativos. Se você perdeu alguma coluna, confira as anteriores aqui.

Os derivativos são instrumentos que tem sua variação e precificação atrelada a outro ativo, daí a possível origem do nome derivada de um outro ativo. Outro aspecto curioso desses instrumentos é que eles têm prazo de vencimento, diferentemente de ações, as quais nunca expiram ao longo do tempo. A estrutura dos derivativos tem uma função muito importante no mercado de renda variável: a proteção do investidor contra variações inesperadas de um dos seus investimentos – conhecido como hedge no jargão financeiro.

Para tentar esclarecer, vamos dar um exemplo: suponha que você possui 1000 ações da empresa XPTO Inc. que é negociada na bolsa de valores. O ticker dessa ação é XPTO3. Vamos supor também que você comprou cada ação dessa empresa por R$ 10,00, totalizando um investimento de R$ 10.000,00. Passado determinado tempo – 1 mês, por exemplo – um evento negativo acontece, e suas ações que antes valiam R$ 10,00 agora valem R$ 7,00.

Seria muito interessante se existisse um contrato que, caso você tenha necessidade imediata, permitisse vender suas ações a R$ 8,50 ao invés de R$ 7,00, diminuindo seu prejuízo, concorda? Esse tipo de contrato existe de fato, e se chama opção de uma ação – para nosso caso hipotético, a opção tem o nome específico de put, ou opção de venda, que teve um papel de seguro contra um prejuízo que a priori o investidor não previa.

Indo mais a fundo nas opções, existem ainda as opções de compra – calls – que permitem a compra de um determinado ativo, em um determinado preço e determinada data (os derivativos tem prazo, lembra?). O leitor pode se perguntar por que alguém compraria determinada opção, já que nesse caso ela te dá a possibilidade de dispender seu capital em um prazo determinado, não havendo aí hedge de fato. Com isso, introduzo a função secundária, ainda que também importante, dos derivativos: especulação e alavancagem de lucros. Não caberia aqui um juízo de valor sobre especulação e alavancagem, mas todo mercado de renda variável sadio no mundo permite essa possibilidade aos seus participantes. Além do que, a possibilidade de comprar por R$ 5,00 algo que hoje vale R$ 10,00 é um bom negócio para qualquer um, não acha?

Logicamente, a operação de derivativos é algo de risco amplificado se comparado às ações – que por si só já são voláteis por concepção. Por isso, caso o leitor tenha interesse em operar nesse mercado, recomendo muito estudo prévio e muita cautela. Um caso recente que ilustra bem a magnitude de ganhos e perdas que são encontrados quando se operam derivativos é o das ações da Gamestop no mercado americano. Vale ler um resumo rápido aqui. Por fim, os derivativos podem ser adjacentes não somente a ações, mas também a moedas ou mesmo índices de mercado – a exemplo dos mini contratos de dólar, contratos de índice e opções do ETF BOVA11.

Na semana que vem, fecharemos nossa minissérie falando sobre os fundos de investimento, que são ótimos aliados do pequeno e grande investidor.

Até lá!

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