“EU OUVIA QUASE DIARIAMENTE QUE AQUELE NÃO ERA MEU LUGAR”, DIZ  TABATA AMARAL

Nesta terça-feira (30), foi ao ar o último episódio do Regra Entrevista especial mês da mulher. A convidada foi  a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) que conversou com as  jornalistas Kelli Kadanus e Raphaela Caçapava sobre a participação de mulheres na política, um luta diária que vai muito além do momento da candidatura. “Quando olhamos para o Brasil em comparação com o mundo, em um ranking mundial sobre a participação das mulheres na política, o país está na posição 142”, aponta a deputada.

Para a deputada, existem vários fatores responsáveis pela exclusão e desigualdade nos cargos políticos. Um deles começa ainda na infância e adolescência quando as meninas não são incentivadas a se verem como futuras candidatas  a gostarem de política, além da falta de representatividade no Congresso e nos órgãos estaduais e municipais.

Tabata Amaral foi a 6ª parlamentar mais votada do Estado de São Paulo em 2018, ano em que se candidatou pela primeira vez aos 25 anos de idade. Para quem é candidata as dificuldades são ainda mais notórias. Durante o período da candidatura, a deputada conta que recebia muitos comentários preconceituosos. “Eu ouvia quase diariamente que aquele não era meu lugar. Que eu não seria eleita e que as urnas iriam me mostrar que aquele não era o meu lugar”, relembra. 

Além de todo preconceito e desigualdade que há no meio político, há ainda assédios morais e sexuais. Tabata relembrou durante a entrevista, comentários disparados contra ela que vinham disfarçados de brincadeiras como: troco um voto por um beijo, por exemplo. Ela alerta que casos como estes se repetem mais ainda no dia a dia do trabalho. 

“Essa violência é muito mais exacerbada na política. Desde comentários, como eu já ouvi de um colega, que no meio de uma reunião super importante perguntou quem eu queria provocar com meu batom vermelho. Até xingamentos de parlamentares que dizem, sem nenhum medo no microfone, que eu sou burra, que não tenho capacidade para relatar um projeto”, conta. 

As violências, ataques e abusos também são vistos nas redes sociais. Tabata, que é formada em astrofísica, conta que recebe muitos xingamentos e até ameaças de estrupo. “Como as pessoas acham que esse lugar ainda não é nosso, é uma tentativa constante de nos silenciar. De falar ‘fique com medo, vá para casa, vai fazer outra coisa’. E a gente resiste como? Primeiro nos apoiando nas mulheres que estão ao nosso lado, nas que lutaram para que nós estivéssemos aqui hoje e nos inspiramos nas meninas que estão vindo”, conta.  

Tabata é co-fundadora do projeto Mapa Educação, movimento que engaja e forma ativistas de todo o Brasil, tendo como missão a promoção de políticas públicas efetivas para a educação. A deputada também faz parte do Movimento Acredito e de outros voltados para a renovação e fomentação da participação de jovens na política, Renova BR e Raps. 

O episódio de hoje e os anteriores estão disponíveis no canal oficial do Regra dos Terços.

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