Vagabunda, desequilibrada, burra:  a política é um espaço hostil para as mulheres

Se o mundo ainda não está acostumado a ver mulheres em espaços de poder e cargos de decisão, o ambiente político muito menos. A prova disso é que, à medida que as mulheres ganham visibilidade neste local, os ataques a elas crescem de forma agressiva e exponencial.

A violência política é um tema preocupante para qualquer democracia, afinal quando ideias divergem não se pode partir para as ameaças sob pena justamente de deteriorar os valores democráticos. Para avançar num ponto de vista é preciso dialogar e negociar, no fim das contas isso é política.

Mas na vida real a agressão acontece e aqui ela destoa muito quando falamos entre homens e mulheres. Se eles são atacados por seus posicionamentos ou trabalhos, elas têm questionado seu controle emocional, seu corpo e sua capacidade intelectual.

O MonitorA fez um levantamento das eleições de 2018 e identificou que no primeiro turno as candidatas receberam cerca de 40 xingamentos por dia apenas no Twitter. Já no segundo turno, além dos ataques às candidaturas femininas, as desqualificações se estenderam a mulheres que apoiaram publicamente outras mulheres. As candidatas mais agredidas foram, nesta ordem, Joice Hasselmann (PSL); Manuela D’Ávila (PCdoB) e Benedita da Silva (PT). 

As ofensas em nada tinham a ver com a competência ou com os projetos políticos propostos por essas mulheres e isso pode ser comprovado quando olhamos os termos mais utilizados nas postagens como “Peppa, porca, burra, ridícula, falsa, louca, vagabunda”.

A abordagem do recorte da violência política de gênero é relativamente nova. Não porque antes as mulheres não sofriam ataques, entretanto à medida que elas passaram a participar mais ativamente deste ambiente – mesmo que essa participação ainda não tenha se traduzido em cadeiras -, mais reações negativas são observadas.

É como uma espécie de acordo velado onde o sistema diz: ‘não existe machismo, as mulheres estão aqui’, mas, sempre tem um mas, ‘não apareça demais, não fale demais, não brilhe demais’. Ou seja, você até pode estar neste espaço, mas não pode ser o que é.

Quanto mais espaço as mulheres conquistam, mais a violência aumenta. As candidatas democraticamente eleitas são sufocadas para passar um recado às demais: é arriscado e pode custar alto demais se você ousar se meter aqui. 

Violência política de gênero é o tema do primeiro webdocumentário do Regra dos Terços. A estreia acontece hoje, às 18h, no canal do Youtube.

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