SAFO: A HISTÓRIA QUE A LITERATURA TENTA APAGAR

Olá querides leitores do nosso Brasil plural e diverso. Hoje vamos falar sobre uma personagem muito importante da história Lésbica no mundo, a Safo. Mas afinal quem foi essa mulher e porquê ela é tão importante assim? Vamos lá!

A origem da palavra que caracteriza a atração entre mulheres deriva de uma personagem chamada Safo, uma poetiza que viveu na região de Lesbos, na Grécia, nascida em algum momento entre 612 e 630 antes de Cristo. Naquele tempo era muito mais aceitável sentir atração por pessoas do mesmo sexo do que nos dias de hoje, então Safo pode “aproveitar” muito mais dessa “licença” para viver sua vida.

E foi dessa combinação, de se atrair por mulheres e morar na ilha de Lesbos, que veio a criação do nome conhecido como Lésbicas.  Essa não foi a única forma em que a poetiza influenciou no universo LGBTQIA+, o seu próprio nome é usado para definir a atração entre mulheres com o termo “sáfico”.

Safo de Lesbos representada em afresco romano do ano 50 d.C. e redescoberto em 1760 (Foto: Museu Arqueológico de Napoles | Reprodução)

Seu lugar de destaque nesse universo também foi muito literário, fragmentos de suas obras poéticas descrevem os diversos envolvimentos entre mulheres em contos eróticos. E mesmo assim muitos acadêmicos insistem em dizer que ela era heterossexual. Vamos discutir os porquês disso.

Ela é conhecida e classificada como uma das maiores poetizas de todos os tempos, desde que existe uma classificação para esta categoria. Seu trabalho foi muito revolucionário para sua época, abrindo caminho para vários outros poetas e poetizas que não tinham espaço para mostrar sua arte com as palavras.

Apesar de seu trabalho ter sido destruído, grande parte dele no incêndio da biblioteca de Alexandria, e outra grande parte por religiosos fanáticos, os fragmentos que foram recuperados foram o suficiente para que ela continue lembrada e admirada.

A lógica para que os acadêmicos insistam tanto em dizer que ela era hétero é por causa do alto nível de preconceito que existe no meio desse tipo de classe. Até hoje em dia não existe muito de seu trabalho e ou a história real de sua vida, porém o pouco que é encontrado é de extrema genialidade e sensibilidade que seria impossível apagá-la totalmente da existência literária.

Segundo Platão, Safo era a décima musa e inesquecível em tudo. Originalmente tinha nove volumes de suas poesias todos muito admirados por grandes escritores de sua época e após sua existência. Platão, que era conhecido por não gostar de poesia, afirmou: “Alguns dizem que as Musas são nove: que tolos são! / Veja, existe Safo também, de Lesbos, a décima”.

“Safo e Erinna em um jardim em Mytilene”, 1864 (Foto: Galeria Tate Britain | Reprodução)

Acadêmicos se esforçaram incansavelmente para elaborar teorias absurdas de que ela era heterossexual, tentando achar uma brecha ou uma ambiguidade textual que pudessem usar para não admitirem que um trabalho tão influente possa ter sido escrito por uma pessoa queer.

Assim como todas as mulheres incríveis de nossa história como humanidade, Safo foi milhares de vezes questionada sobre sua sexualidade, sobre sua paixão pelas mulheres ao descrever várias Deusas em suas obras e também por não ter sentido necessidade alguma de esconder suas relações com mulheres. A importância de relembrar personagens assim, é justamente para que ninguém consiga apagar as obras artísticas e muito menos a sua existência como pessoa LGBTQIA+.

Safo tanto se tornou uma representante da comunidade das mulheres que se sentem atraídas por mulheres, quanto foi uma grande poetiza. Grupos ativistas foram nomeados a partir dela, livros foram escritos sobre ela, as próprias pessoas queer se identificam com ela; ela é a prova de que homossexualidade não é algo novo, mas tão antigo quanto as próprias lendas.

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