O QUE A ECONOMIA TEM A VER COM A NOSSA CRIATIVIDADE?

Quem me conhece sabe da minha inquietude: sou economista, professor-pesquisador, lancei três álbuns musicais e agora estou me lançando na literatura com o “Conto da Raposa Vermelha” e outros livros planejados para 2021. E todo ano, quem se depara com isso me pergunta: como você consegue fazer tantas coisas?

Um dos temas da minha tese de doutorado, que tenta compreender um pouco como as habilidades humanas se formam na escola, responde um pouco dessa questão. Primeiro, precisamos conceituar o que é exatamente a “inteligência humana”. Grosso modo, ela pode ser dividida em dois grupos de habilidades. As cognitivas, relacionadas à memória, à lógica e que medidas pelo QI; e as socioemocionais, que estão correlacionadas com a disciplina, autonomia, motivação etc.

Psicólogos do mundo inteiro nos anos 1970 trabalharam em torno de descobrir quantas e o que exatamente são essas competências socioemocionais. O mais legal é que diferentes psicólogos, em diferentes lugares no mundo, chegaram a uma mesma evidência, de que as principais dimensões dessas competências podem ser distribuídas em cinco, conhecidas como as Big-Five: abertura ao novo, resiliência emocional, autogestão, engajamento com os outros e amabilidade.

O ponto deste texto aqui é discutir umas delas: a habilidade “Abertura ao novo”. Essa competência está relacionada à curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico. E existe muita literatura científica que liga essa competência a melhores resultados educacionais e no trabalho. Nós já sabemos que a educação está relacionada com menores índices de criminalidade, melhores índices de saúde e diversos outros transbordamentos positivos. Economizamos recursos se nossa sociedade está educada. Ainda, produzimos mais e melhor.

É aqui que a minha resposta científica se liga a um relato pessoal: em 2011, quando deixei a casa dos meus pais para fazer mestrado, senti que precisava continuar me expressando. Foi quando gravei meu primeiro álbum e viajei por diversas cidades fazendo shows. Em 2015, antes de ir morar na Inglaterra para o doutorado sanduíche, lancei meu segundo álbum. Em 2016, quando retornei ao Brasil, concluí a minha tese e uma série de contos e músicas que culminaram no meu terceiro disco em 2020 e nessa e outras publicações que farei em 2021.

Se eu tivesse focado, será que teria feito mais? Ou teria feito melhor? Impossível saber. O que posso dizer é que ser aberto ao novo mexeu com a minha criatividade, me proporcionou maior leveza em uma fase frequentemente descrita por meus colegas como traumática. Me estimulou a ir mais longe e acessar outras partes adormecidas de mim. Por isso defendo que todo mundo encontre sua maneira de se expressar. Isso também pode vir através do esporte, do desenho, da dança, ou daquele hobbie que você adora.

O importante é entender que somos seres multidimensionais. E que é sempre bom dar vazão a esses outros “nós” que nem sempre sabemos que existem. E vocês? O que fazem para estimular a sua abertura ao novo?

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