LÍDERES RELIGIOSOS: ENQUANTO PEDEM ABERTURA DOS TEMPLOS, FECHAM OS OLHOS PARA AS MORTES

Nesta quarta-feira (07) o plenário do STF julga a liberação de missas e cultos presenciais, justamente no meio do agravamento do número de casos da pandemia de covid-19 no país. Ontem (06), batemos mais um recorde de mortes, 4.195 famílias e amigos perderam pessoas amadas e estão e luto. O julgamento acontece após os ministros Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes tomarem decisões dissonantes sobre o tema nos últimos dias. Líderes religiosos se colocaram favoráveis no retorno das atividades nos templos e afirmaram que o fechamento de igrejas causa um grande impacto financeiro, assim, tentam pressionar a volta dos cultos e missas presenciais. 

Tudo bem Eline, mas o que você quer dizer com tudo isso?

Bem, eu não irei sequer entrar no tema de isolamento social onde alguns são contra, outros são a favor e alguns nem sabem do que eu estou falando agora. Eu gostaria apenas de questionar alguns fatores religiosos que, na minha cabeça de cristã / quase teóloga, não encaixam. Primeiro de tudo, lembro de um tal de Jesus- que esse pessoal usa para tudo, como argumento irrevogável e diz seguir- que dizia aos seus apóstolos que “nada levassem pelo caminho, a não ser um cajado somente; nem pão, nem mochila de viagem, nem dinheiro em seus cintos” (Mc 6:8), e que, segundo eles, agora precisa de dinheiro para se manter próximo daqueles que desejam o seguir. Jesus era pobre. Mas quase nenhum deles se lembra disso. Vejo esses representantes com seus carros milionários, mansões e tantos outras aquisições feitas com o dinheiro do povo, pedindo para que esse mesmo povo- que em sua maioria é pobre, idoso e depende do nosso suado SUS- para que saiam de suas casas e arrisquem suas vidas, para que os jantares luxuosos e vidas de classe A continuem em pé. Usam das fake news para subsidiar seus egos machucados, negligenciando as medidas sanitárias e a vacina, criando profecias como se fossem o próprio Cristo. É feio de ver. É lamentável. 

E aí coloco meu segundo questionamento, bem mais simples e que nem precisa de muito argumento. Esse é destinado para quem defende a volta presencial das celebrações, porque alegam se sentirem incompletos, distantes de Deus, não cumprindo sua “obrigação” de cristãos e que são tão apegados aos tijolos das igrejas. Eu só uso as palavras de Paulo: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1Cor 3:16). 

Nessa minha humilde opinião de quem não vai mudar o mundo e nem cabeças, apenas consigo entender que se não somos capazes de entrar em contato com Deus na solidão de nossos corações e no mais íntimo do nosso ser- como Cristo fez no monte das oliveiras-, se não nos compadecemos das mortes e daqueles que sofrem nos hospitais e são vítimas da irresponsabilidade de tantos, se ainda somos egoístas de achar que a nossa “obrigação social de ir aos cultos e missas” é maior do que um país que está morrendo, então, porta de templo algum será o suficiente para que entremos realmente no Reino dos Céus.

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