INFLAÇÃO: O DRAGÃO NUNCA DORME

Olá querido leitor/querida leitora!

Espero que você e sua família continuem bem nesse turbulento início de 2021. E por falar em turbulência, hoje vamos abordar um tema que influencia (e muito) o dia a dia financeiro de todos os brasileiros, seja nos investimentos, seja ao gastar o salário de cada mês: a inflação. Você sempre poderá conferir minhas colunas anteriores aqui do Regra nesse link aqui.

Você já deve ter percebido que os preços dos alimentos, vestuário, eletrônicos, dentre vários outros artigos aumentaram muito desde o final do ano passado: aquela nota de R$ 100 de abril de 2020 compra muito menos coisas hoje em abril de 2021, não é mesmo? Ainda que a grande maioria da população não saiba explicar formalmente o porquê, já que, como comentamos em colunas passadas, educação financeira ainda não é o forte do nosso país, esse efeito perverso é sentido sempre no órgão mais sensível que temos: o bolso. Esse é um dos – guarde bem a palavra a seguir – efeitos da inflação, que parece ter saída da década de 80 para nos aterrorizar novamente.

Ainda que estejamos longe do mesmo cenário de 4 décadas atrás, a perda do poder de compra assusta a todos nós, sejam aqueles que tem mais de 40 anos, e que viveram épocas de hiperinflação, ou os mais jovens. Mas afinal de contas, o que é o fenômeno inflacionário? A definição mais corrente – e errônea – que se têm da inflação é o aumento generalizado de preços. Na realidade, esse aumento generalizado é um dos sintomas, e não a causa, do fenômeno. Por mais que existam correntes econômicas que divirjam sobre a real origem – a economia é uma ciência social, e não uma ciência exata – todas elas relacionam, em menor ou maior grau, o aumento da “quantidade” de dinheiro em circulação ao fenômeno inflacionário. Os economistas dão o nome de “expansão da base monetária” ao aumento dessa “quantidade” de dinheiro na economia.

O estudo aprofundado sobre a inflação pode ter lhe parecido complexo nas linhas anteriores, e realmente é. Mas façamos uma pequena reflexão: o dinheiro, entre suas propriedades, é usado como reserva de valor e meio de troca. Ao longo da história, vários objetos – ouro, prata, sal, dentre outros – foram usados como dinheiro por ter justamente essas propriedades. Peguemos o exemplo do ouro: ele só é uma reserva de valor pois intrinsicamente é escasso – é muito difícil de se obter e aumentar sua quantidade em nosso planeta. O que aconteceria se, magicamente, chovessem 500 mil toneladas de ouro do céu? Será que a “mercadoria” ouro ainda seria escassa? Logicamente que não. Qual seria o efeito secundário disso? O ouro passaria a ser algo comum, corriqueiro, que qualquer um possuiria, perdendo seu valor e seu status de reserva, já que sua quantidade foi, de uma hora para outra, “inflacionada”.

Trazendo para nosso dia a dia, as moedas que os países usam, denominadas moedas fiduciárias ou moedas de curso forçado – dólar, real, iene, euro – tiveram suas quantidades multiplicadas durante a crise da Covid-19, a fim de financiar auxílios e gastos emergenciais governamentais. No curto prazo, isso parece benéfico, já que estes mesmos governos criaram riqueza “do nada” e distribuíram a população. A contraparte, no médio e longo prazo, são os efeitos maléficos dessa base monetária inflada, que dilapida poder de compra de cada cidadão, pois os bens e serviços que consumimos não são produzidos instantaneamente como a moeda fiduciária.

Existem investimentos que protegem seu poder de compra ao longo do tempo, tais como investimentos denominados reais – ações e fundos imobiliários de tijolos, fundos de investimento em ouro e prata, ou mesmo em criptomoedas. É sempre benéfico que o investidor possua parte do seu patrimônio nestes tipos de investimento.

Até a semana que vem!

1 comentário em “INFLAÇÃO: O DRAGÃO NUNCA DORME

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