TIBIRA DO MARANHÃO: INDÍGENA E VÍTIMA DE HOMOFOBIA

Olá querides leitores e leitoras, hoje vamos trazer a história de um indígena cruelmente assassinado pela homofobia, neste mês de Abril que tratamos das homenagens aos nosso povos originários vamos retratar quem foi um dos milhares indígenas que sofreram e sofrem até hoje pelas mazelas do preconceito.

Tibira era um índio de etnia Tupinambá na região do Maranhão que foi executado no forte de São Luiz amarrado pela cintura na boca de um canhão e tragicamente morto com requintes de crueldade e desumanidade apenas por ser quem ele era. Este relato cruel trata-se do primeiro registro detalhado de homofobia em território brasileiro, praticado contra um índio.


Tibira, termo tupi utilizado para designar aqueles que não se encaixavam nos padrões ocidentais de sexualidade, foi perseguido e torturado por ordenação de d’Évreux pela prática da “sodomia” e por, segundo ele, parecer “no exterior mais homem”, mas ser “hermafrodita” e ter “voz de mulher”. Embora tenha tentado escapar, o índio foi capturado e executado em praça pública.

“Vou morrer, não mais os verei, não tenho mais medo de Jurupari pois sou filho de Deus, não tenho que prover-me de fogo, de farinhas, de água e nem de ferramenta alguma para viajar além das montanhas, onde cuidais que estão dançando vossos pais. Dai-me porém um pouco petum (tabaco, na língua tupinambá) para que eu morra alegremente, com a palavra firme e sem o medo que me estufa o estômago”.  Tibira

A sua trágica morte serviu para que a moralidade dos colonizadores se continuasse intacta e com isso poderiam impor aos nativos regras religiosas da época e assim podiam dominar seus territórios e escravizar sua população. Atualmente, o resgate desta história nos ajuda a perceber como o apagamento e hostilização às diferentes sexualidades dos índios foram um dos grandes males trazidos pela colonização. 

Na luta pela memória de Tibira, o Grupo Gay da Bahia lançou em 2014 uma campanha a favor da canonização de Tibira como o primeiro mártir gay indígena brasileiro e, dois anos depois, uma lápide foi instalada na Praça Marcílio Dias, no centro da capital maranhense, em sua homenagem.

Pouco se sabe sobre os reais modos em que os indígenas homossexuais eram tratados, mas se hoje em dia ainda é muito difícil, naquela época onde quem mandava eram as doutrinas religiosas e cristãs era impossível que a vida dessas pessoas fosse retratada com a devida importância.

A colonização trouxe muita tragédia para o povo nativo, liberdade não era acessível e nascer gay naquela época era praticamente um decreto de morte. Hoje ainda temos diversas dificuldades, mas estamos ainda lutando pelos direitos de igualdade e oportunidades. É preciso ir em frente e lembrar do passado como inspiração pra seguir em paz com quem realmente somos.

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