MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA CHACINA EM JACAREZINHO QUE DEIXOU 28 MORTOS

Moradores da favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, realizaram nesta sexta-feira (7) uma manifestação contra a chacina ocorrida nesta quinta-feira (6), quando uma operação da Polícia Civil terminou com 28 mortos. O número foi atualizado nesta sexta-feira (7). Inicialmente, se falava em 25 mortos na operação, a mais letal da história do Rio de Janeiro.

A manifestação começou às 17 horas e reuniu centenas de pessoas contra a ação da polícia. Em frente à Cidade da Polícia, sede da polícia civil no Rio de Janeiro, os manifestantes exibiam faixas com frases como ‘Parem de nos matar’ e ‘Justiça, Jacarezinho’.

Jacarezinho
Manifestantes protestam contra chacina no Jacarezinho. Foto: Reprodução/Twitter

A operação foi considerada um “trabalho de inteligência” pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Mas a ação não conseguiu prender os 21 alvos de mandados de prisão, que eram investigadas por suspeita de aliciar menores para o tráfico de drogas.

Segundo a própria Polícia Civil, somente três dos alvos da operação foram presos. Outros três foram mortos durante a operação. Os outros 15 alvos podem ter fugido durante a operação.

Autoridades mentem e dizem que todos os mortos eram “bandidos”

Entre as vítimas está um inspetor da Polícia Civil, morto com um tiro na cabeça. Em discurso no velório do inspetor, o secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, elogiou a ação da polícia e disse que informações do setor de inteligência da polícia identificaram que todos os demais 27 mortos na chacina eram traficantes.

“A inteligência já confirmou todos os mortos como traficantes. 19 com folhas corridas até agora”, disse o secretário. 

Ao contrário do que disse Turnowski, ao menos 13 vítimas da chacina não tinham qualquer relação com a investigação.

Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6), o o delegado Felipe Curi classificou todos os mortos como criminosos.

“Não tem nenhum suspeito aqui. A gente tem criminoso, homicida e traficante. O que causa muita dor na gente é a morte do nosso colega”, afirmou. 

A declaração do delegado contraria a presunção de inocência, prevista na Constituição Federal, que determina que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Ou seja, como agente representante do Estado, o delegado tem a obrigação de saber que não pode tratar suspeitos como culpados antes de um julgamento na Justiça.

Segundo o portal G1, famílias que estavam no IML tentando liberar corpos seguem relatando execuções. Há casos de mortos que haviam saído para comprar pão, para passear com o cachorro. Também houve pessoas que foram baleadas no trem, vítimas de balas perdidas.

Investigações sobre a chacina

Nesta sexta-feira (7), o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), ao procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, e a outras autoridades e órgãos estaduais que esclareçam as circunstâncias da operação policial.

Nos ofícios, assinados nesta sexta-feira (7), o PGR cita a possibilidade de responsabilização em caso de descumprimento da decisão liminar do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, que proibiu a realização de operações policiais no Rio de Janeiro durante a pandemia.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou irá analisar uma petição em que o Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiza Mahin aponta violação da decisão tomada na ADPF 635.

O Observatório de Direitos Humanos do Poder Judiciário, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também afirmou que irá acompanhar as investigações do caso.  

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OABRJ) ressalta que ações de enfrentamento ao crime organizado são necessárias, mas que devem ser feitas com cuidado e planejamento respeitando os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal. “Salientamos que o norte permanente da atuação das forças de segurança deve ser a preservação de vidas, inclusive dos próprios policiais”. 

Veja vídeos da manifestação em Jacarezinho

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