MAYRA PINHEIRO CONTRADIZ PAZUELLO E AFIRMA QUE TRATECOV NÃO FOI HACKEADO

A nona pessoa a depor na Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) foi a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Conhecida nas redes sociais como “Capitã Cloroquina” por defender o uso do medicamento, que vale lembrar, não é recomendado por médicos e especialistas e também não tem nenhum estudo que comprove a eficácia do medicamento para casos confirmados de covid-19, ou como a Mayra Pinheiro costuma recomendar, para o tratamento precoce da doença.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCOV que recomendava que médicos e enfermeiros, após incluir os sintomas do paciente na plataforma, iniciassem o tratamento precoce dos possíveis infectados pela covid-19 com medicamentos que não são eficazes contra a doença, tais como cloroquina, hidroxicloroquina e a azitromicina. 

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, durante reunião da CPI da Pandemia do Senado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após ter gerado inúmeras críticas negativas de médicos, especialistas e do Conselho Federal de Medicina (CFM) que, em nota divulgada à época, alertou sobre a falta de segurança dos dados e a indução a automedicação. O aplicativo foi retirado do ar no dia seguinte.

“Permite seu preenchimento por profissionais não médicos; Assegura a validação científica a drogas que não contam com esse reconhecimento internacional; Induz à automedicação e à interferência na autonomia dos médicos; Não deixa claro, em nenhum momento, a finalidade do uso dos dados preenchidos pelos médicos assistentes”, apontou o CFM. 

Após o general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ter afirmado à Comissão que o aplicativo havia sido hackeado e modificado. A secretária e médica, Mayra Pinheiro, afirmou que a plataforma não foi invadida e muito menos modificada e acusou o jornalista Rodrigo Menegat de ter acessado a página, que segundo ela, ainda era um protótipo e fazer uma 

“extração indevida de dados”

“Ele não conseguiu hackear. Hackear é quando usa a senha de alguém, entra dentro de uma plataforma. Foi uma extração indevida de dados. O termo que foi utilizado foi um termo de leigos. Hoje temos um laudo pericial que classifica a operação feita de extração de dados”, afirmou. 

Ela ainda defendeu o uso do aplicativo como um mecanismo para salvar vidas, alegando que a plataforma poderia ter sido utilizada pelas Secretaria estadual e órgãos municipais de saúde do estado do Amazonas. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), perguntou a Mayra Pinheiro qual foi o motivo da retirada do aplicativo do ar, já que ele não havia sido hackeado e muito menos modificado. “A suspensão foi necessária para fazer a investigação sobre a extração de dados”, explicou a secretária.

Omar Aziz questionou Mayra Pinheiro sobre os motivos de não ter colocado o aplicativo novamente no ar, tendo em vista que a secretária afirmou que ele salvaria vidas. Secretária disse que havia uma insegurança enorme acerca da plataforma. Aziz a interrompeu e disse ela poderia ter treinado os médicos. “Se tinha aplicativo que ia salvar vidas, por que não devolveu?”, interrogou o presidente da sessão. 

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