COPA DAS AMÉRICAS: EM MEIO A CRISE SANITÁRIA, BRASIL SERÁ SEDE DO EVENTO

No período que o Brasil se aproxima dos quase 500 mil mortos pela covid-19 e mais de 16 milhões de infectados pela doença, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aceitam o pedido da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) para que o páis seja sede da Copa América. O anúncio foi feito na última semana. 

Indo contra todas as indicações de médicos e especialistas, o governo federal aprovou a realização da Copa América no Brasil, um dos países que mais registra mortes por covid-19 e com uma crescente de novas infecções e registros de novas variantes, como a conhecida e letal cepa indiana. O convite da CONMEBOL veio após a Argentina e a Colômbia se recusarem a fazer o evento devido a pandemia de coronavírus. 

Estádio Mané Garrincha, Brasília (DF). Foto: Reprodução CBF/Arena BSB/Divulgação

Mesmo com a crise sanitária, a Copa será realizada no país e começará no próximo domingo (13), com o jogo da seleção brasileira contra a Venezuela  no estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF).

Nesta segunda-feira (7), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou sobre o protocolo que será adotado durante a competição. O protocolo inclui voos fretados, ônibus exclusivos, restrição de saída dos hotéis, andares isolados e quartos separados, e realização de exames PCR a cada 48h.

Ao contrário da demora para responder as ofertas de vacina, o presidente Bolsonaro afirmou em evento do Ministério da Saúde no dia 1° maio, que respondeu o convite poucas horas após ser procurado pela CBF. 

“Eu informo que fui procurado pela CBF, com o anúncio de que a federação argentina não tinha condição de sediar a Copa América. Respondi que em poucas horas eu daria a resposta, porque, as decisões que eu tomo, preciso ouvir os ministros. Ouvi os ministros interessados, apresentamos os argumentos, entre eles: acabamos com a primeira fase da Libertadores. Foram aproximadamente 80 jogos na primeira fase sem problema nenhum. Começamos agora, na sexta-feira, o jogo Brasil e Equador, pelas Eliminatórias, sem problema nenhum”, disse Bolsonaro.

Diante da divulgação das disputas no país, que imunizou apenas 10,38% da população com a primeira e segunda dose das vacinas contra a covid-19 e 23,13% com a primeira dose, milhares de pessoas se opuseram a realização da Copa América, que pode agravar ainda mais a propagação da doença. Ao todo, 10 países disputaram a taça: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. 

O jornalista e narrador de esportes Luiz Roberto manifestou repúdio contra a realização da copa que acontecerá nos estádios Mané Garrincha (Brasília); Nilton Santos (Rio de Janeiro); Arena Pantanal (Cuiabá); Olímpico (Goiânia) e Maracanã (Rio de Janeiro), onde acontecerá a grande grande final. “Não é possível, é inaceitável. A sociedade brasileira, a coletividade do futebol e do esporte, nós não podemos aceitar essa decisão”, disse o jornalista em participação no SporTV. 

O volante da seleção brasileira, Casemiro, disse em entrevista após o jogo da seleção contra o Equador que os jogadores querem se manifestar sobre a realização da Copa após o jogo desta terça-feira (8), contra o Paraguai. “Nosso posicionamento todo mundo sabe. A gente deixou claro para todo mundo”, disse. 

Participação na Copa América contra vontade 

Desde que o evento foi anunciado, os jogadores da seleção brasileira mostraram insatisfação com a forma que o evento foi organizado e principalmente por está sendo feito em um momento de pandemia. Com isso, havia a possibilidade de um boicote à Copa com a não participação da seleção nos jogos. Nesta segunda-feira (7), segundo o portal notícias G1, a seleção decidiu participar da Copa, no entanto, a decisão oficial será divulgada nesta terça-feira após após o jogo com o Paraguai que acontecerá às 21h30, horário de Brasília. 

Assédio sexual e moral 

No último sábado (6), a Comissão de Ética do Futebol Brasileiro afastou por 30 dias o presidente da CBF, Rogério Caboclo, após uma funcionaria da Confederação o acusar de assédio sexual e moral. Segundo reportagem do Globo Esporte (GE), dentre os abusos sofridos detalhados pela funcionária no processo, além dos constrangimentos e comportamentos abusivos o dirigente chegou a pergunta-lá se ela “se masturbava” e tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”.

Em nota também divulgada pelo GE, em 6 de junho, a CBF anunciou que irá investigar o caso.  

“A CBF informa que recebeu na tarde deste domingo, 6, decisão da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro suspendendo temporariamente (pelo prazo inicial de 30 dias) o Presidente Rogério Caboclo do exercício de suas funções. Seguindo o Estatuto da entidade, toma posse interinamente, por critério de idade, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima. A decisão é sigilosa e o processo tramitará perante a referida Comissão, com a finalidade de apurar a denúncia apresentada”.  

Copa América e a jogada política

Um dia antes do afastamento, Rogério Caboclo enviou um mensagem ao governo afirmando que iria trocar o técnico da seleção, Tite, por Renato Gaúcho, garantindo assim, a realização da Copa, já que o Gaúcho é um dos apoiadores de Bolsonaro, o que contaria como ponto positivo para a imagem do presidente junto aos apoiadores. A informação foi divulgada pelo jornalista André Rizek do GE.

Tite tem sido atacado por apoiadores do Bolsonaro que o culpam pela resistência da seleção em participar da Copa. Nesta segunda-feira (7), o vice-presidente Hamilton Mourão também atacou o técnico dizendo que se “ele não mais” poderia ir treinar o time. 

“Não vou entrar nessa discussão. Eu acho que faz parte dessa disfuncionalidade que nós estamos vivendo. Eu sou do tempo que jogador de futebol, quando era convocado para seleção brasileira, era considerado uma honra. O técnico, ele não quer mais, não quer, o Cuiabá está precisando de um técnico, aí, não tá? Então leva lá, sai, pede o boné. Acho que isso é uma discussão, neste momento, totalmente disfuncional’, disse Mourão ao ser questionado no Palácio do Planalto.

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