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A vida é sopro

A vida é sopro

Eu sei que é muito clichê, mas segundo a minha estagiária eu já sou um público sênior, então isso me autoriza a ser clichê às vezes, no alto dos meus 30 anos. Hoje eu queria falar sobre como a vida é frágil. É clichê porque tudo que a gente precisa para parar para pensar nisso é uma comoção nacional em torno de alguém que morreu cedo de mais de uma maneira repentina demais. 

Há algumas semanas eu passei a sexta-feira em choque e o sábado chorando com as notícias sobre a morte da Marília Mendonça. Não, eu não era de nenhum fã clube, nem seguia ela nas redes sociais, embora ache as músicas dela ótimas. Mas nessas horas a gente começa a pensar sobre como a vida é um sopro. É tudo muito incerto e frágil. 

Como explicar para um bebê de dois anos que ele não vai mais ver a mãe? Como explicar para uma mãe que ela vai precisar enterrar uma menina de 26 anos? E todos os planos? Todos os sonhos? E tudo que ela tinha para dizer e não disse? A gente sempre parte do pressuposto de que estaremos vivos amanhã e por isso adiamos ligações, encontros, conversas. 

Sobretudo, episódios como a morte e Marília Mendonça nos fazem pensar sobre quem somos e o que vamos deixar para o mundo. Marília deixou um legado. A arte dela nunca será esquecida. Você pode gostar ou não. Mas ela colocou alguma coisa no mundo. Daqui 10, 20, 50 anos, haverá registros de algo que ela fez no mundo. (Sim, se a humanidade durar mais 50 anos, o que também é bem incerto). 

Isso me levou a pensar sobre o tanto de coisas que eu gostaria de fazer, mas adiei. O que eu vou deixar no mundo se eu morrer hoje? Eu não sou uma grande compositora, não sou uma jornalista memorável, não escrevi nenhum livro. Tirando os porta-retratos da casa da minha mãe, talvez tenha muito pouca evidência material da minha passagem pelo mundo. 

A vida é um sopro. E a gente precisa se acostumar a fazer com que nosso tempo aqui valha a pena. Para nós e para os outros. 

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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