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Com filiação de Alckmin ao PSB, eleições começam a tomar forma

Com filiação de Alckmin ao PSB, eleições começam a tomar forma
Cleber Bonatti/PSB - Divulgação

A filiação do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), representou um avanço para a candidatura do ex-presidente Lula (PT), que já considera o tucano como seu vice para a disputa da Presidência da República, em outubro. Segundo a última pesquisa Ipespe, os dois candidatos mais competitivos seguem sendo Lula (PT), com 43% das intenções de voto, e Jair Bolsonaro (PL), com 28%. Embora o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) tenha manifestado interesse na disputa pela presidência em fevereiro, os principais representantes da terceira via permanecem com baixa aprovação popular: Sérgio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) estão empatados na margem de erro, com 8% das intenções de voto.

Sobre Alckmin ter se filiado a um partido com direcionamento ideológico oposto ao do PSDB, o ex-governador paulista justificou sua migração de políticas neoliberais para progressistas em defesa da democracia. Em discurso durante sua cerimônia de filiação ao PSB, nesta quarta (23), Alckmin falou que enfrentou Lula no segundo turno das eleições de 2006 em um contexto no qual a “questão democrática” nunca foi colocada em risco. “O debate era de outro nível. Nunca se questionou a democracia. Democracia é um valor, princípio, respeito às pessoas. A primeira tarefa nossa é combater a mentira, porque a mentira é o que há de pior para o regime democrático”, afirmou.

Para o cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Rodrigo Gonzalez, a filiação de Alckmin ao PSB segue a tendência das campanhas eleitorais anteriores, marcadas por semelhanças ideológicas entre os candidatos. “Talvez a campanha de 2002 tenha tido alguma diferenciação de natureza mais ideológica em relação às propostas do PSDB e do PT, ainda assim sem grandes mudanças no cerne da política econômica. O que havia era uma diferença de visão social de mundo. Já as campanhas posteriores tornaram-se praticamente uma questão de ataque moral, de quem é o mais honesto e quem é o mais corrupto”, analisa Gonzales.

Além de Lula (PT), Bolsonaro (PL), Sérgio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) também se apresentou como pré-candidato à presidência desde o início do ano, após vencer Eduardo Leite (PSDB) nas prévias do PSDB para a escolha de um candidato. Leite só retornou para a disputa presidencial após ser cotado como principal opção de candidato à presidência pelo PSD após a desistência do presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), anunciada em 09 de março. Porém, o governador do Rio Grande do Sul ainda não adquiriu relevância e popularidade como candidato da terceira via, visto que conta com apenas 1% das intenções de voto.

Embora Doria seja o segundo pré-candidato com maior índice de rejeição (59%), perdendo apenas para Bolsonaro (62%), o cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael ressalta o acesso à propaganda política como uma vantagem na campanha do governador. “Até Doria deixar o Executivo estadual no final de abril para se candidatar à presidência, ele pode ocupar todos os dias o espaço na televisão por ser governador. Então, ele tem um palanque natural para falar sobre a vacinação das crianças contra a Covid ou sobre qualquer outro tema”, explica.

Os demais pré-candidatos, como Simone Tebet (MDB) e André Janones (Avante), contam com apenas 1% das intenções de voto. Felipe D’Ávila (Novo) e Alessandro Vieira (Cidadania) não pontuaram em nenhuma das pesquisas eleitorais até o momento.

A pesquisa Ipespe constatou que a rejeição ao governo do presidente Bolsonaro é alta, pois 64% dos brasileiros desaprovam sua gestão. Porém, o professor Ricardo Ismael afirma que Bolsonaro ainda tem chances de aumentar sua popularidade através da entrega de obras públicas e medidas de liberação de crédito à população, como o Auxílio Brasil e a antecipação de saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “Bolsonaro já usa a entrega de obras, como a transposição do rio São Francisco, justamente como pretexto para fazer campanha política antes das convenções partidárias. Ele sabe que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) costuma fazer ‘vista grossa’ em relação a isso. Isso não é novidade, porque ex-presidentes como Lula, Dilma e os demais também usaram o cargo de presidente para ganhar atenção da mídia e, a partir dali, gerar repercussão nacional”, afirma.

No momento, a maioria das pesquisas eleitorais aponta para a possibilidade de um segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro, considerando o crescimento gradativo das intenções de voto do atual presidente desde o início das pesquisas, em fevereiro. Entre as pesquisas Ipespe de 11 de fevereiro e 11 de março, Bolsonaro passou de 24% para 28% das intenções de voto, oscilando sua popularidade um pouco acima da margem de erro de três pontos da pesquisa.

A pesquisa Ipespe, divulgada em 11 de março, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo BR-03573/2022. Foram entrevistadas 1.000 pessoas com mais de 16 anos em todo o país entre os dias 07 e 09 de março de 2022. Margem de erro de 3 pontos e confiança de 95,45%.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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