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Alta da inflação: o que isso significa para o seu bolso e o que esperar para 2022?

Alta da inflação: o que isso significa para o seu bolso e o que esperar para 2022?
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A inflação fechou o ano de 2021 acima de 10%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior alta anual desde 2015. Para 2022, a expectativa do mercado financeiro já está em uma alta de 5,09%, de acordo com o Boletim Focus divulgado no dia 17 de janeiro. A inflação é responsável pela alta nos preços dos serviços e produtos e corrói o poder de compra dos brasileiros. Mas afinal, o que fez com a inflação disparasse em 2021? E mais importante: o que esperar para 2022?

O economista e doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Guilherme Moura explica que a inflação é um processo cumulativo que acontece em cadeia e para todos. Quando, por exemplo, o preço do petróleo sobe, ele é repassado para as empresas, que repassam o aumento para o consumidor. O mesmo vale para outros produtos. 

“É um processo que vai se acumulando dentro da sociedade. Ano passado a gente teve uma inflação elevada e este ano, possivelmente, a gente vai ter uma inflação significativa”, avalia o economista. O aumento ou redução da inflação é motivada por diversos fatores internos e externos. Nos últimos anos, um dos principais vilões da economia foi a pandemia de Covid-19, que obrigou, por medida de segurança, muitas pessoas a permanecerem em casa, além de encarecer o preço de matérias-primas que vem de fora do país. 

Um levantamento feito pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) apontou que sete a cada dez indústrias estão com dificuldades para comprar matérias-primas. De acordo com a pesquisa, 18 dos 25 setores da indústria de transformação estão com problemas para encontrar insumos para produção por um preço viável. 

No setor de calçados, 90% das indústrias estão passando por problemas para conseguirem obter matéria prima. O ranking vem seguido da indústria de couro (88%); fabricantes de móveis (85%); indústria química (79%); vestuário e madeireiras (78%); indústrias de equipamentos de informática e produtos eletrônicos (77%) e o setor de bebidas (76%). 

Entre os setores que dependem dos insumos importados, o problema é o mesmo. Os mais afetados foram os farmacêuticos, que dependem dos maquinários e outros materiais (88%); vestuário (85%), material plástico e limpeza e perfumaria (84%).

Guilherme Moura explica que com o retorno gradual às atividades, as pessoas voltaram a comprar muito rápido, porém, as indústrias ainda não conseguem produzir na mesma velocidade.“A gente observa um cenário de falta de vários produtos, de vários insumos, e quando um produto falta, ele fica mais caro. O vendedor, observando que tem pouco daquele produto, acaba aumentando o preço. Esse é um dos fatores importantes que veio no meio da pandemia e continua agora”, diz. 

Corrosão do poder de compra

Além dos insumos para produção, as indústrias também precisam de combustível, seja para gerar energia, seja para transporte. De janeiro a outubro de 2021, houve um aumento de 73% no litro da gasolina e de 65% no litro do diesel. Esse crescimento alarmante do preço dos combustíveis também reflete diretamente no valor de outros produtos. 

Moura explica que quando se fala em petróleo é preciso analisar, também, a questão do câmbio, pois a maioria dos produtos que compramos são importados, o que faz o produtor/vendedor analisar o valor dos itens vendidos com base no preço de fora do país. 

“Para vender em real ele vai querer vender mais caro também. A parte significativa desse aumento tem sido por causa dessa desvalorização da moeda brasileira, o produto em reais tem ficado mais caro. Na verdade, esse é o problema porque os salários não têm acompanhado esse aumento. Os preços têm aumentado e o salário não”, explica Moura.

Para tentar diminuir a inflação, o economista ressalta que o Banco Central (BC) tem utilizado todos os meios possíveis, principalmente por meio da taxa de juros. No entanto, este é um processo lento. “A inflação vai diminuindo paulatinamente. Primeiro pela pela expectativa de mercado, a gente vê uma esperança de diminuição em torno de 10% a 5%”. 

Em novembro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou, durante uma audiência pública das comissões de Infraestrutura e temporária para discutir as causas da crise energética do Senado Federal, que embora a produção de petróleo no país tenha aumentado no último ano, no restante do mundo, ela diminuiu, gerando uma crise de oferta e demanda. 

Questionado pelos senadores sobre a alta no preço do barril de petróleo, o ministro destacou que um dos fatores responsáveis pelo aumento do petróleo foi a desvalorização do real em comparação com o dólar. “O preço saiu de US$ 66, em janeiro de 2020, e o valor subiu, hoje está em US$ 84. E se formos ver a desvalorização cambial, o dólar saiu de R$ 4 em janeiro de 2020 e hoje está em R$ 5,55. Isso tudo leva a aumento nos preços dos combustíveis”, disse o ministro à época. 

Fenômenos climáticos e a inflação 

O regime de chuva instável no país gera outro fator que contribui para a inflação: a crise hídrica. Em algumas regiões que enfrentam um período de seca muito prolongado, o fornecimento da energia produzida nas hidrelétricas fica prejudicado. “Toda vez que falta chuva e, por consequência, falta energia nas hidrelétricas, o governo por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é obrigada a ligar as termelétricas, que são as geradoras de energia movidas a carvão e petróleo, é uma energia muito mais cara. Então falta chuva, não é possível gerar energia nas hidrelétricas, e é obrigado a gerar essa energia mais cara”, conta.

Com isso, as empresas são obrigadas a repassar esse custo para o consumidor, gerando a famosa bandeira vermelha ou amarela, que aparece no talão de luz.   

O reflexo da inflação no preço da cesta básica

O preço do petróleo e dos insumos também agem diretamente no custo dos itens da cesta básica. Em setembro, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) registrou aumento nos preços em 11 das 17 capitais que participaram da pesquisa. Segundo o levantamento, as maiores altas foram em Brasília (3,88%) Campo Grande (3,53%), São Paulo (3,53%) e Belo Horizonte (3,49%). 

Em relação a setembro de 2020, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as cidades pesquisadas. A elevação dos valores chega a 38,56%, em Brasília, 28%, em Campo Grande, 21,62%, em Porto Alegre, e 19,54%, em São Paulo.

“Todos os bens da cesta básica precisam ser transportados até o mercado. Então toda vez que o petróleo aumenta, o transporte desses produtos ficam mais caros. Então temos um problema de custo de transporte que tem aumentado muito”, explica Moura.

A alta do dólar também tem ligação com o preço da cesta básica. Segundo o economista, vários itens do dia a dia do brasileiro são importados e acabam tendo o preço cotado em dólar e, como o dólar ficou mais caro, esses produtos ficaram mais caros por tabela. “Muito do arroz consumido no país, por exemplo, é importado em dólar e ficou mais caro. O óleo de soja, a soja também é vendida para a China em dólar, como o dólar subiu ele também ficou mais caro”. diz.

O que esperar dos preços em 2022

Para este ano as expectativas sobre a inflação dependem de como será a pandemia de Covid-19 nesta retomada das atividades. Segundo Moura, a expectativa do mercado é que a produção se estabilize e que a falta de produtos seja sanada. Porém, esta é uma situação de alta nos preços que talvez se arraste até o próximo ano. Além da questão da falta de insumos, há também a falta dos transportes e as ações – e polêmicas – do governo federal.

“Há muitos portos que ficaram um bom tempo fechados, então há muita carga que ficou presa. Se a pandemia der uma aliviada essa carga poderá ser entregue. E o governo tem usado uma política monetária de juros muito forte. O juros aumentou muito e, quando isso acontece, fica mais caro pegar dinheiro emprestado, então as pessoas acabam pegando menos dinheiro e comprando menos, com isso começa a sobrar produtos e, sobrando produtos, o preço cai. Além disso, esse aumento dos juros incentiva as pessoas a guardarem mais dinheiro e gastarem menos, é uma forma de diminuir a demanda por produtos”, explica.  

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