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Durante governo Bolsonaro, aluguel teve as duas maiores altas desde 2002

Durante governo Bolsonaro, aluguel teve as duas maiores altas desde 2002
São Paulo - Alessandro Ferreira, Neguinho Tiradentes e Romaria na rua Ipiranga, em frente a praça da República, receberam doações de roupas e cobertores para ajudar a suportar o frio (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O brasileiro está pagando aluguel mais caro durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo levantamento do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Em 2021, o aluguel alcançou uma alta de 17,78%, a segunda maior desde 2002, quando atingiu 25,31%. O aumento só perde para 2020, também na atual gestão, quando o índice alcançou 23,14%.

Conhecido como “inflação do aluguel”, o IGP-M tabela a variação dos preços cobrados do consumir e acompanha o aumento dos materiais primários para construção das residências. Quando ele apresenta um aumento, gera um efeito cascata, o que faz com que os alugueis, até das residências mais antigas, suba também.

O último Boletim Focus, que é um levantamento feito pelo Banco Central junto aos principais agentes financeiros, prevê que Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai fechar o ano com alta de 10,02%. O dólar deve fechar o ano cotado em R$ 5,63. Esses fatores, somados ao declínio financeiro que o país vem enfrentando, é o que tem puxado a alta nos aluguéis.

Pessoas indo morar na rua

A Constituição Federal garante que todo cidadão tem o direito à moradia, sendo que este direito precisa ser resguardado pelo Estado. Cabe a União, estados e municípios “promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico”.

Mas, com os aumentos constantes nos alugueis nos últimos anos, este direito tem sido violado em escala assustadora. Muitas prefeituras deixaram de realizar o censo que poderia dar a dimensão exata do tamanho do problema. Em Belo Horizonte, por exemplo, o último levantamento foi feito em 2013, quando apontou que 1.827 pessoas viviam nas ruas da capital mineira.

Ainda assim é possível chegar aos dados atuais através de outros levantamentos. O Cadastro Único, ferramenta do governo federal, aponta que até julho deste ano, ao menos 8.473 pessoas estavam morando nas ruas de Belo Horizonte. Ou seja, a população de rua cresceu quase cinco vezes em oito anos.

Por todo país a regra é desencontro dos dados. Em Curitiba, por exemplo, a prefeitura contabiliza 1.300 pessoas vivendo nas ruas. Mas um levantamento da ONG Mãos Invisíveis, que distribui marmitas no centro da capital paranaense, aponta que há entre 5.000 e 6.000 pessoas morando nas ruas. Os dados foram passados para o jornal Folha de S. Paulo.

A situação se repete na capital carioca. Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, que fez o levantamento no período de 26 a 29 de outubro de 2020, aponta que ao menos 7.272 pessoas estão em situação de rua na capital carioca.

Pesquisa realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, aponta que 31% dessas pessoas haviam chegado nesta situação há menos de um ano, sendo 64% por perda de trabalho, moradia ou renda. Destes, 42,8% afirmaram que se tivesse um emprego sairia das ruas.

Está caro viver no Brasil

Como revelado pela pesquisa do Rio de Janeiro, a maioria das pessoas que vivem nas ruas do país estão nessa situação por falta de condições financeiras. O principal motivo para isso é a crise econômica e fiscal agravada pela pandemia, a falta de políticas públicas e constantes crises políticas causadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus ministros.

Neste ano o gás de cozinha de 13 quilos, por exemplo, chega a custar R$ 140,00 em algumas regiões. A cesta básica subiu 30%, alcançando o patamar dos R$ 700,00. A gasolina aumentou 50,6%, chegando a alcançar os R$ 9,00 por litro em alguns postos do país. O desemprego ultrapassou os 14% neste ano. E, segundo projeções do Boletim Focus, para o ano que vem a perspectiva não é de melhora. O Produto Interno Bruto (PIB) deve ficar na casa dos 0,42%, o dólar em R$ 5,60 e a taxa básica de juros (Selic) deve ter aumento de 11,50%.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Atualmente é repórter de rede da Band e Bandnews TV em Brasília. Fundador do Regra dos Terços

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