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AMAZÔNIA TEM SEGUNDA PIOR TEMPORADA DE DESMATAMENTO EM CINCO ANOS

AMAZÔNIA TEM SEGUNDA PIOR TEMPORADA DE DESMATAMENTO EM CINCO ANOS
Foto: © Christian Braga / Greenpeace

De acordo com um mapeamento feito pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado nesta sexta-feira (6), o acumulado de alertas de desmatamento em 2021 na Amazônia foi de 8.712 km². É a segunda pior temporada em cinco anos, segundo os dados do Deter.

A medição é entre agosto de 2020 e 30 de julho deste ano. A temporada é considerada por causa das variações do clima na Amazônia. No período de um ano, a área desmatada equivale a mais que cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo. A redução, em relação ao período anterior, foi apenas de 5,47%. Com isso, a redução de 30% no desmatamento ilegal até 2022 prometida pelo vice-presidente da república e presidente do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão torna-se cada vez mais inatingível. 

Entre 1° e 30 de julho de 2021, foram registrados 1.416,78 km², avisos de desmatamento, segundo o Deter. No mesmo período, o estado do Pará foi o mais desmatado, seguido por Amazonas e Rondônia. 

Em nota, a assessoria de imprensa do Greenpeace alerta para o risco do desmatamento e da inanição do governo brasileiro. “Governo e Congresso seguem estimulando a destruição da nossa maior aliada na contenção da crise climática, a poucos dias da divulgação de novas conclusões da ciência para o clima”, diz o comunicado. 

Outra questão preocupante é que pode contribuir para o aumento do desmatamento ilegal é a aprovação do PL da Grilagem, que pretende fazer a regularização fundiária no Brasil em terras da União. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados e está em análise no Senado. 

Ainda em nota, a Gestora Ambiental Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, destacou os efeitos negativos que a aprovação da PL pode na floresta Amazônica. “Se o senado aprovar o PL da Grilagem, estará estimulando o desmatamento de áreas extremamente estratégicas para enfrentar a crise do clima  e contribuirá ativamente para o colapso da Amazônia, seguindo na direção oposta dos esforços necessários globalmente para a redução de emissões de gases do efeito estufa”, comentou.

Em sobrevoo realizado na última semana de julho, o Greenpeace flagrou diversas áreas com grandes desmatamentos equivalentes a 3.888 campos de futebol que devem queimar nas próximas semanas, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo. 

Veja imagens do sobrevoo:

“Estamos à beira da publicação do relatório do IPCC [sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas], que deve reforçar o papel das ações humanas na crise climática e a contribuição das emissões de carbono no agravamento de extremos climáticos. A acelerada destruição da Amazônia é um fator que contribui na intensificação de eventos como os vivenciados recentemente no Brasil, que vão desde inundações recordes no norte do país à crise hídrica nas demais regiões, trazendo impactos negativos para a sociedade brasileira como o aumento da conta de energia, do preço dos alimentos, além da ameaça de um racionamento de água e energia”, avalia Cristiane.

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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