O AMOR ÀS VEZES É SURDO

Todo mundo diz que o amor é cego, mas eu tenho uma teoria de que às vezes é melhor ele ser surdo. Na verdade, não é uma teoria, é uma observação empírica. 

Meus pais são casados há mais de 30 anos e nesse período já brigaram incontáveis vezes, como qualquer casal normal no mundo. Mas eu também já vi eles deixarem de brigar outras tantas vezes porque eles não escutaram o que o outro disse. Mesmo. Uma brincadeira que meu pai fez e minha mãe não ouviu (ou fingiu não ouvir), uma reclamação da minha mãe que passou direto pelos ouvidos do meu pai (pelo menos pareceu na hora). 

Mas teve uma vez que eu percebi que eles realmente não escutam muito bem, mesmo. Eu estava no meu quarto, estudando, quando ouvi meu pai na cozinha falando com a minha mãe, na sala ao lado. Eis o diálogo que se seguiu: 

– Amor, onde tem fósforo?

– Pão?

– Fósforo.

– Pra quê você quer pão? Você acabou de comer…

– Não, surda, quero fósforo.

– Deve ter pão no armário. 

– FÓS-FO-RO.

– Nossa, também não precisava gritar!

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