fbpx

AMORES ETERNOS DE TRÊS SEMANAS E MEIA

AMORES ETERNOS DE TRÊS SEMANAS E MEIA
Eline Carrano - Sonhos do Avesso

Esta semana eu ouvi de uma pessoa que eu admiro muito que as grandes paixões dela duraram cerca de uns 3 meses. E, escritora talentosa que é, ela escreveu textos incríveis para esses amores arrebatadores e quase eternos. Textos dignos mesmo de serem lidos e que geram na gente aquele arrepio depois que você lê o ponto final.

Eu escrevi anos a fio sobre essas paixões e emoções que me dominaram por semanas e algumas, confesso, por anos. Eu amei profundamente cada uma dessas pessoas, independente do tempo que elas ficaram na minha vida. E eu sempre questionei: tem um tempo padrão para ser considerado “amor de verdade”? Duvido muito. Desses amores que vivi, alguns me marcaram de tal forma que são lembrados até hoje com carinho, mesmo que nosso “para sempre” não tenha durado uma estação inteira. 

O amor é sobre intensidade, afinal.

Mas, ao mesmo tempo, eu tive aquelas relações longas que me exigiram dedicação e investimento. Que me agregaram de tal forma que eu acabei mudando certezas, conceitos e alguns princípios. Amores que me ensinaram tanto sobre mim mesma, sobre conseguir me superar dentro das minhas inseguranças de corpo, de vida e traumas. Mas eles também passaram. E, no final das contas, eu acho que é sobre isso que parte da vida é: é sobre ciclos. Sejam os amores, as paixões, as grandes certezas que a gente acha que tem na vida. Tudo isso vai durar o tempo que for necessário e, por mais que a gente tente prender com força entre as mãos, passa.

O que fica, no fim das contas, são os ensinamentos. Esses nos acompanham em detalhes da rotina, hábitos, gostos que a gente não tem certeza se adquiriu ou nasceu com eles. E as pessoas, mesmo que saindo da nossa vida, deixam seus vestígios como laços eternos que nos tocam profundamente. Eu confio nos ciclos, confio na necessidade de cada um deles. 

O para sempre, na verdade, é só uma memória. E tudo bem, o amor não precisa estar em uma tabela.

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: