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Conheça os bastidores do processo de produção das animações

Conheça os bastidores do processo de produção das animações
Ilustração: Cecília Esteves

Se você tem criança em casa ou convive com alguma, com certeza já assistiu à alguma animação do Palavra Cantada. Embora o clipe tenha cerca de três minutos, o processo de produção é muito maior. Cecília Esteves, sócia da Pulo do Gato Animação, responsável por toda produção dos vídeos do Palavra Cantada, explica que são necessários três meses para um vídeo como este ir ao ar. Além de demorado, a criação das animações envolve vários profissionais de diversas áreas.  

Ela explica que o processo é feito em partes de forma objetiva, o que não dá margem para erros. “Na animação a gente não tem como errar, é tão trabalhoso que não tem ‘ah, vou refazer’. Sabe filme, que eles fazem a mais e depois cortam? Na animação faz o que tem que fazer, ou seja, não é feito trabalho a mais para ser descartado depois”, conta.

Tudo começa com o roteiro, que depois de aprovado avança para uma próxima fase, o storyboard – os quadrinhos com o preview de cada cena. “Hoje em dia a gente formata como Animatic, que quer dizer que você já tem as vozes e o tempo de cena. Então quando você olha um Animatic, é como se você já tivesse vendo o filme pronto”, explica. O trabalho inicial, que antecede o storyboard, é feito em paralelo com o departamento de direção de arte, que faz a criação de personagens e pensa nos cenários da animação. 

Sabe aquele filme, aquela animação que você assiste em uma hora e meia? Pois é, em média, é necessário um a dois anos para eles ficarem prontos, dependendo do tamanho da produtora e da quantidade de pessoas envolvidas.  

Cecília Esteves, conta que se apaixonou pela profissão de animador enquanto cursava arquitetura, profissão na qual ela é formada. “Comecei a trabalhar em um escritório de design antes de me formar como arquiteta, e era o que eu gostava mesmo, era o que eu queria fazer. E nessa empresa eles faziam desenhos para embalagem de brinquedos de criança. Então tinha ilustrações infantis e já me colocaram pra fazer isso, e era o que eu adorava fazer”, relembra. 

No início da década de 90, Cecília Esteves iniciou um curso técnico de animação na França. Ela relembra que na época não havia muitos estúdios no Brasil e muito menos cursos de especialização e formação na área. 

Anos mais tarde, de volta ao país, a sócia da Pulo do Gato fez outro curso voltado para a produção audiovisual. “O mercado era muito fechado. Eram pouquíssimas empresas que faziam animação, as poucas que tinham eram ligadas à publicidade, eram estúdios muito pequenos, não tinha escola. É muito diferente do mercado hoje”, lembra. 

O mercado da Animação no Brasil

De acordo com um levantamento feito pela Anima Mundi em 2019, os estados brasileiros com mais empresas e freelancers que trabalham com animação ficam em São Paulo (184), Rio de Janeiro (70), Minas Gerais (33) e Paraná (24). A pesquisa entrevistou, por meio de formulário on-line, 179 empresas e 276 freelancers de 24 estados da federação. Segundo a pesquisa, 54% das firmas são formadas por uma equipe de até seis funcionários. 

A maioria dessas empresas (35%) foram criadas entre 2011 e 2015, mesmo período em que entrou em vigor a Lei n° 12.485 de 2011, conhecida como a lei da TV por assinatura, fator que impulsionou a criação de novos estúdios de animação no país. A lei criou uma cota obrigatória de 2,08% de toda a programação semanal de conteúdos nacionais, ou seja, três horas 30 minutos deveriam ser de produções brasileiras. Desse total de horas, uma hora e 45 minutos são de conteúdos independentes. 

Cecília Esteves avalia que incentivos como a lei da TV por assinatura foram essenciais para o crescimento dos estúdios no país. “Hoje em dia você tem empresas fazendo a produção de séries, de curtas-metragens, isso tudo é realmente relativo à abertura que teve e as leis de incentivo que começaram a entrar forte no Brasil por volta de 2010”, diz.

“A minha produtora iniciou quando o governo começou a produzir material didático em formato digital. Eles exigiam que os conteúdos tivessem infográficos, animações, que eles tivessem jogos. Isso foi em 2013, período que houve uma mudança radical tanto para as editoras, que fazem a parte impressa e tiveram que fazer a parte digital também. E aí elas passaram a contratar equipes especializadas nesse mercado que também é bem diferente e inclui não só a ilustração, mas também jogos e animação”, relembra.  

As legislações de fomento ao setor foram fundamentais para o crescimento das produções nacionais. “Sem um incentivo do governo, como os outros países têm, porque isso aconteceu lá fora, você não tinha como fazer essas produções aqui dentro. A concorrência lá fora era muito grande”, conta. Até 2019, cerca de 32,3% das produções brasileiras foram exportadas para os Estados Unidos e 11,1% para o Canadá, segundo dados da pesquisa da Anima Mundi. 

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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