APÓS PERDER FORO PRIVILEGIADO, RICARDO SALLES SERÁ INVESTIGADO PELA JUSTIÇA DO PARÁ

A Polícia Federal (PF) reforçou os indícios do suposto esquema de exportação ilegal de madeira ao qual o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teria envolvimento. Após perícias, a PF reforçou as suspeitas que ligaram o nome de Salles aos resultados alcançados na operação Akuanduba. A possibilidade de uso de documentos falsos e outros elementos indicam que houve uma espécie de “lavagem” dos produtos florestais e que havia uma tentativa de legalizar os materiais extraídos de maneira ilegal com a utilização de documentos expedidos oito meses depois da exploração das áreas.

A perícia criminal foi feita pela PF com informações levantadas pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, órgão equivalente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Brasil. Os dados mostram um possível esquema de conluio que seria cometido entre agentes públicos brasileiros e particulares dos dois países, Brasil e EUA, na tentativa de legalizar madeiras brasileiras de origem ilegal e que forma retidas em portos norte-americanos.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A PF afirmou que a análise criminal “demonstrou que a origem dos produtos florestais que foram exportados por meio do contêiner TCNU7091944 apresentou DOFs [Documento de Origem Florestal] emitidos mais de oito meses após o final dos sinais de exploração florestal detectados em imagens de satélite”, segundo o delegado Franco Perazzoni, que conduz as investigações.

Ricardo Salles perdeu o foro privilegiado, pois foi exonerado do cargo de ministro e, assim, seu caso não pode mais ser apurado no Supremo Tribunal Federal (STF). As análises e conclusões da PF foram usadas como base do pedido da corporação para que as investigações da operação Akuanduba continuem na Justiça Federal do Pará, o que foi confirmado pelo ministro Alexandre de Moraes, que enviou nesta terça-feira (20) as investigações para o órgão.

Salles é alvo de suspeitas de crimes ambientais

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou no dia 2 de junho a instauração de um inquérito contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pela suposta prática dos delitos de advocacia administrativa, obstar ou dificultar a fiscalização ambiental e impedir ou embaraçar a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. A ministra atendeu ao pedido feita à época pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, circunstâncias relativas à conduta do ministro em relação à Operação Handroanthus, da Polícia Federal, que resultou na apreensão de cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira extraídos ilegalmente por organizações criminosas, tornam indispensável o aprofundamento da investigação. Além disso, Salles também foi alvo da operação Akuanduba, já citada, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, também do STF.

Operação Akuanduba

Além de Salles, outro nome que entrou no foco da PF foi o do presidente afastado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, além de outros nove ocupantes de cargos de confiança do órgão e do Ministério do Meio Ambiente, que são investigados pela operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e que se refere aos crimes contra administração pública que seriam corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando.

As investigações indicam que esse esquema seria operado por estes funcionários públicos e empresários do ramo madeireiro.

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