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Assassinatos, torturas e vinganças: alguns policiais cariocas agem como soldados fascistas

Assassinatos, torturas e vinganças: alguns policiais cariocas agem como soldados fascistas
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Há fortes indícios de que a Polícia Militar do Rio de Janeiro torturou e assassinou ao menos oito homens no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo no último fim de semana. Os corpos foram encontrados desfigurados em um mangue da região. Além deles, um outro homem foi morto, segundo a polícia, em uma troca de tiros. Quatro dos oito homens não tinham se quer passagens pela Polícia.

Os assassinatos foram uma resposta da PM à morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, que foi morto na região no sábado (20).

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Para vingar a morte de um companheiro de farda, a Polícia, ao que tudo indica, pode ter agido como tribunal inquisitorial, guiado por sentimentos fascistas de que a vida de quem vive nas favelas vale menos. Moradores afirmam que a PM recolheu pessoas aleatórias na rua e levaram para o mangue, na intenção de torturar e assassinar os homens. Tudo isso para mandar um recado ao crime organizado e vingar a morte do sargento.

Essa não é uma exceção no Rio, é a regra. Levantamento do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), divulgado pelo G1, mostra que das 494 operações policiais em favelas do RJ, entre junho e novembro de 2020, apenas 268 incursões foram comunicadas ao Ministério Público.

Os dados apontam que 45,7% das operações em favelas descumpriram decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o fim do uso dos blindados aéreos em operações policiais, a proteção a comunidade escolar além da construção de perícias e de provas nos locais das operações.

Apenas 6,7% das operações tinham mandado de busca e apreensão, ou seja, a polícia carioca age ilegalmente nas favelas do Rio de Janeiro em mais de 90% das operações e nada acontece com ela.

Em 15 anos, essa mesma polícia assassinou 13.584 pessoas. Para se ter uma ideia, entre janeiro de 2019 e outubro de 2021, a polícia matou à tiros 102 crianas e adolescentes no RJ. Os policiais foram responsáveis por uma a cada cinco mortes no Rio.

Isso não está afastado do momento político vivido no país, pelo contrário. No ano em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assumiu o poder, assim como o ex-governador Wilson Wiztzel – ambos defensores de ações truculentas da Polícia -, os policiais cariocas assassinaram 1.643 pessoas. Isso representa um aumento de 313% do que o observado em 2013.

“A polícia está impedindo crimes com essas operações”, podem dizer os defensores do olho por olho, dente por dente dos tempos ditos como modernos. Mas ora, algum ser racional acha razoável que a polícia seja responsável por 37% dos assassinatos num estado? Isso foi o que ocorreu nos primeiros oito meses de 2021 no RJ.

A morte do sargento precisa ser lamentada, os criminosos precisam ser presos e punidos sob o rigor do devido processo legal. Jamais, em uma sociedade sadia, a torturara e o assassinato de seres humanos pode ser aceito como algo natural, ainda mais quando isso vem via Estado. Isso mancha o trabalho dos bons policiais que vivem com um salário baixíssimo e quase nenhuma estrutura, tudo para servir à sociedade. Eles existem, mas ficam escanteados diante de histórias assim.

Ora, se a PM está fazendo isso para combater o crime organizado, por que não vemos o mesmo rigor em áreas controladas pela milícia? Seria por que muitos dos milicianos são policiais? Políticos? Estaria a Polícia carioca aproveitando o poder do Estado para fortalecer a milícia? São perguntas que carecem de respostas concretas.

Ao prender, torturar e matar oito seres humanos, sejam eles culpados ou inocentes, a Polícia do Rio demonstra sua característica fascista e é aplaudida por uma sociedade doente.

Ao G1, a Polícia Militar negou violações e disse que se manteve em confronto com bandidos na região de mata, próxima ao mangue.

Só acho estranho pessoas terem dedos arrancados e rostos desfigurados com facas em uma troca de tiros. É no mínimo estranho. O fascismo está presente e ele veste farda.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Atualmente é repórter de rede da Band e Bandnews TV em Brasília. Fundador do Regra dos Terços

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