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Relembre quatro casos de bolsonaristas acusados de assédio sexual

Relembre quatro casos de bolsonaristas acusados de assédio sexual
Arthur do Val, Renan Santos e Gabriel Monteiro sofrem acusações sobre práticas sexuais

Apesar de eleger-se como um candidato a favor da família e dos valores cristãos, a reputação do presidente Jair Bolsonaro (PL) tornou-se questionável devido a diversas denúncias de assédio sexual ao seu redor, envolvendo ex-aliados como Arthur do Val e Renan Santos e atuais bolsonaristas, como Gabriel Monteiro e Pedro Guimarães, o qual foi alvo de denúncias recentes de assédio sexual a funcionárias da Caixa Econômica Federal, reveladas nesta terça-feira (28) pelo portal Metrópoles, que relata também a existência de uma investigação no Ministério Público Federal.

Pedro Guimarães

Embora Bolsonaro não cite nominalmente a denúncia de assédio envolvendo Pedro Guimarães, escolheu a secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques, para substituí-lo no cargo nesta quarta-feira (29), quando é esperado o anúncio de sua exoneração. A escolha de Daniella também é vista como uma estratégia de campanha de Bolsonaro para aumentar sua popularidade entre o eleitorado feminino, pois a secretária de Produtividade vinha liderando a agenda Brasil Pra Elas, cujo objetivo é apoiar mulheres com baixo poder econômico a adquirirem independência financeira por meio do empreendedorismo feminino.

A manutenção de Guimarães tornou-se insustentável após as revelações das funcionárias ao Metrópoles viralizarem nacionalmente, as quais afirmaram que “se sentiram abusadas por Pedro Guimarães em diferentes ocasiões, sempre durante compromissos de trabalho”. Vítimas afirmaram ao site que Guimarães costuma tratar as mulheres que atuam próximo a ele como “propriedade” e faz convites “exóticos”, como ida à saunas, banhos de piscina e até sexo. Diante das denúncias de assédio, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou um requerimento na Comissão de Direitos Humanos (CDH) solicitando a convocação do ex-presidente da Caixa no Congresso, a fim de prestar esclarecimentos sobre denúncias de assédio sexual a funcionárias da empresa. 

Gabriel Monteiro

O youtuber, ex-policial militar e vereador carioca, Gabriel Monteiro, teve vídeos seus transando com menores de idade viralizados no Twitter em abril desde ano. A pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), a juíza Claudia Leonor Jourdan Gomes Bobsin, do Cartório da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, determinou  a remoção de todos os vídeos do Twitter, sob multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento da determinação.

O caso de Gabriel Monteiro foi, inclusive, um dos destaques em “Bolsonarismo: da ascensão e queda”, que faz parte da série de reportagens especiais do Regra “Eleições 2022: como chegamos até aqui?”. 

A viralização dos vídeos não foi a única polêmica envolvendo Monteiro, e sim sua conduta machista diante dos vídeos. Segundo depoimento de um de seus ex-assessores para a polícia, o youtuber e ex-policial militar zombava do fato de transar com adolescentes. “Ele tinha o hábito de fazer brincadeiras, dizendo que iria abrir uma creche e que mulheres de 20 anos de idade já seriam velhas”, afirmou o assessor. As revelações foram publicadas pelo G1, que teve acesso aos depoimentos.

Além disso, a exposição de vídeos íntimos ​​sem consentimento de ambas as partes é considerado crime na legislação brasileira. Publicada em setembro de 2018, a Lei 13.718 modificou o Código Penal ao tipificar a conduta de divulgação de cena de estupro. 

Em seu artigo 128-C, a lei estabelece que “oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia” é passível de prisão de um a cinco anos, “se o fato não constitui crime mais grave”.

A pena ainda pode ser aumentada entre um terço e dois terços se “o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação”.

Além disso, Monteiro também é acusado de estuprar uma mulher. Segundo a vítima, o ato começou consentido, mas ela teria mudado de ideia e pedido para ele parar – não se sabe se por uso de filmagem ou violência, por exemplo -, Gabriel, no entanto, teria utilizado da força e estuprado a vítima. O ex-policial nega a acusação e afirma que todas as acusações são frutos de uma perseguição para acabar com sua carreira política.

Arthur do Val 

O então do Movimento Brasil Livre (MBL) e então deputado estadual por São Paulo, Arthur do Val, ou “Mamãe Falei”, perdeu seu mandato em decorrência de falas machistas durante sua viagem “humanitária” para mostrar “a verdade da guerra” na Ucrânia. Foi vazado um áudio do agora ex-deputado Arthur do Val, em meio à guerra na Ucrânia, falando que as refugiadas eram fáceis porque eram pobres

Ele também disse que voltaria ao país devastado para se aproveitar dessa suposta facilidade, insinuando que se beneficiaria de turismo sexual para relacionar-se com as mulheres ucranianas que lutavam para se refugiar da guerra contra a Rússia.

Após o escândalo, Arthur do Val desistiu de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, e Bolsonaro aproveitou para criticar o integrante do MBL ao chamar sua frase de “asquerosa”. Arthur do Val teve o mandato cassado por unanimidade pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e renunciou antes do caso ir ao Plenário, o que não impediu que o caso fosse julgado e perdesse os direitos políticos por oito anos. Em 2018 pousou para fotos e vídeos com o hoje presidente da República e o filho deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Renan Santos

Divulgado em 12 de setembro do ano passado, um vídeo de 2018 do MBL mostrou um dos líderes do movimento, Renan Santos, um dos líderes do MBL, falando a amigos que iriam “estuprar” uma colega – chamada por Renan de “agente Bárbara” – caso fossem impedidos de entrar em no bar Violeta, localizado na Rua Augusta, em São Paulo (SP).

Embora tenha sido um caso de machismo e apologia ao crime de estupro, a jovem citada no vídeo, Bárbara Tonelli, também é militante do MBL e defendeu Renan, afirmando que sua fala foi apenas uma “brincadeira entre amigos”. “A piada sem graça foi comigo. Meu nome está no vídeo. Estão compartilhando o vídeo. Não tiveram o cuidado de ocultar o meu nome. E a culpa ainda é minha. Vai entender”, questionou Bárbara em suas redes sociais.

Usando as palavras da amiga em sua defesa, Renan Santos afirmou em seu Twitter:  “Com a palavra, a Babi, do vídeo que estão rodando de forma ridícula. Deplorável a turma ‘politicamente incorreta’ não entender uma piada entre amigos bêbados. Piada ruim, mas piada”, disse Renan.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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