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Atacante da seleção feminina de futebol acusa direção do Barcelona de misoginia

Atacante da seleção feminina de futebol acusa direção do Barcelona de misoginia
Giovana Queiroz (Foto: Sam Robles/CBF)

A jogadora da seleção brasileira feminina de futebol Giovana Queiroz, de 18 anos, publicou nesta quarta-feira (29) uma carta aberta no Twitter acusando o Barcelona, clube que defende e é um dos maiores da Europa, de misoginia, assédio moral e psicológico. Na carta, Giovana relata que foi acolhida e respeitada no clube até o momento em que insistiu em atender sua primeira convocação para jogar na seleção brasileira, realizada em outubro de 2020. Na época, Giovanna ainda era menor de idade e, segundo a própria jogadora, foi coagida a desistir da convocação da seleção brasileira devido à uma cultura machista de assédio a mulheres, sobretudo as menores de idade, que são mais vulneráveis.

Giovana explica sua vulnerabilidade inicial como medo de denunciar os abusos e perder sua vaga no Barcelona. “Entrei em pânico e temi pelo meu futuro.” Segundo pesquisa do instituto Patrícia Galvão, a atacante da seleção brasileira compõe 87% das vítimas de assédio moral no trabalho, que são mulheres. “Eu havia participado da campanha da Fundação Barça pela aprovação da Lei de Proteção a Menores contra a violência, mas ao mesmo tempo, dentro do clube, estava totalmente desprotegida”, ressalta Giovana.

Em carta endereçada ao presidente do clube espanhol, a atacante conta que ouviu persistentes comentários de que atuar pela seleção não seria bom para o seu futuro no Barcelona. Sem conseguir demovê-la da ideia, seu superior no clube, segundo a carta, começou a aplicar métodos arbitrários para prejudicá-la no time. Embora Giovana não tenha identificado o nome ou função de seu agressor no clube, apresentou todas as provas junto a sua denúncia para a direção, “com os responsáveis devidamente identificados”.

“Em fevereiro de 2021, fui submetida a um confinamento ilegal por parte da chefe de serviços médicos do clube. Ela afirmou que (o motivo) era o contato direto com um caso positivo de Covid-19. Desde o princípio, acreditei que os verdadeiros motivos eram outros”, conta Giovana.

Após suspeitar da necessidade do confinamento, Gio procurou o Departamento de Saúde da Catalunha, que contradisse a equipe do Barcelona e afirmou que seu caso não precisava de isolamento. Quando a jogadora questionou a médica do Barcelona, ela afirmou que o caso da atacante era “especial” e, por isso, ela deveria ser impedida de treinar e até mesmo sair de casa. As provas do ocorrido fazem parte da denúncia formal à direção do Barcelona.

Após se apresentar à seleção brasileira nos Estados Unidos com uma autorização da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gio alega que foi acusada pela direção do Barcelona de cometer “grave indisciplina” por furar o isolamento imposto pelo clube e que sofreria graves consequências por isso, mesmo recebendo vários testes PCR negativos. “Voltei para a casa destruída. Chorei muitas vezes. Senti um enorme vazio. Não tinha força para lutar pelos meus direitos”, escreveu.

Embora Gio ainda seja jogadora do Barcelona, está emprestada ao clube espanhol Levante, onde marcou nove gols em 25 jogos na atual temporada. Em sua carta, a atleta cobra que o clube “deve ser responsável por cuidar da integridade física, mental, psíquica e moral frente qualquer forma de violência.” Ela também pressiona publicamente o Barcelona a adotar medidas efetivas que combatam o problema do abuso moral, assédio laboral e da violência psicológica contra as mulheres.

O Barcelona ainda não se manifestou sobre o ocorrido e não respondeu publicamente às acusações de Giovana.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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