CIMI CULPA GOVERNO FEDERAL POR VIOLÊNCIA CONTRA INDÍGENAS NO PARÁ

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi Regional Norte 2 divulgou nesta quinta-feira (27) uma nota em que responsabiliza o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela violência contra o povo indígena Munduruku, no Pará. Nesta quarta-feira (26),  ocorreu um conflito entre garimpeiros, alguns indígenas e agentes de forças de segurança em Jacareacanga, sudoeste do Pará, que terminou com dez feridos. 

Além disso, garimpeiros invadiram aldeias e queimaram casas de lideranças Munduruku em retaliação a uma operação contra o garimpo ilegal em terras indígenas. A operação Mundurukânia, de combate ao garimpo ilegal nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, foi realizada nesta quarta-feira. As forças de segurança que participavam da ação foram surpreendidas por um grupo de garimpeiros, que iniciou um protesto contra a operação de proteção das terras indígenas.

Foto: Povo Munduruku

“Não há notícias de feridos pelos incêndios. Porém, informações indicam que o grupo de garimpeiros ainda busca em outras aldeias por lideranças do movimento que são contrárias à mineração ilegal no território Munduruku, inclusive com uma lista de alvos”, diz a nota do Cimi.

Para o conselho, a escalada da violência na região é resultado direto da atuação do governo federal.

“Esta situação é diretamente motivada pela atuação irresponsável e criminosa do governo federal, que já se manifestou inúmeras vezes de forma contrária aos direitos dos povos originários e às ações de fiscalização ambiental. O governo Bolsonaro buscar legalizar a mineração em terras indígenas, favorecendo os grupos criminosos que atuam de forma ilegal e articulada dentro de terras que, em tese, deveriam contar com proteção federal”, diz a nota.

No ano passado, uma ação de fiscalização contra o garimpo ilegal na região chegou a ser interrompida após visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da intervenção do Ministério da Defesa. O Ministério Público Federal (MPF) investiga, inclusive, suspeitas de vazamento de informações sigilosas e transporte de garimpeiros que atuam ilegalmente na TI Munduruku em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), na ocasião da visita do ministro.

Deputada federal e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI), Joenia Wapichana (REDE-RR), pediu providências imediatas contra a violência contra povos indígenas.

“É imprescindível, senhor presidente, novamente, ter essa atenção aos povos indígenas que estão passando por esses ataques de violência em nosso país. é preciso dar um basta nesta violência e é preciso tomar providências imediatas para estabelecer segurança, a integridade física e a vida dos povos indígenas”, disse a deputada no Plenário da Câmara nesta quarta-feira (26).

A região sudoeste do Pará, junto com a Terra Indígena Yanomami, são as áreas mais emblemáticas na atuação organizada de grupos garimpeiros, que além de interferirem na gestão dos territórios indígenas, também ameaçam a vida e integridade física dos indígenas. 

Em nota, a FPMDDPI também pede providências para proteção dos indígenas. “A Frente Parlamentar Indígena, conclama às autoridades competentes que efetivem a decisão  proferida pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, nesta segunda-feira (24) para a retirada de invasores das Terras Indígenas Munduruku e Yanomami”, diz o grupo.

No trecho da decisão o ministro determina “à União a adoção imediata de todas as medidas necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das populações indígenas que habitam as TIs Yanomami e Munduruku, diante da ameaça de ataques violentos e da presença de invasores, devendo destacar todo o efetivo necessário a tal fim e permanecer no local enquanto presente tal risco.”

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