All posts by Carlos Renato Simonetto

Curitibano, bancário, formado em Comunicação Institucional e estudante de Jornalismo. Trata o futebol como um fenômeno social e não somente uma bola e muito dinheiro rolando. Curte crônicas, valoriza a criatividade. Apreciador de música e baixista.

Boa tarde, tem figurinha da Copa?

Este conto foi feito em etapas e você pode contribuir para que tenha mais!
Um mix de fatos reais e fictícios. Quem quiser, pode mandar  a continuação desta história nos comentários ou no email cr.simonetto@gmail.com!

Resiliência é : você ir a 10 bancas do Centro atrás de figurinhas. Não achar, ser zoado pelo tio da banca por ter sido o milésimo cara a perguntar. Ouvir o “está em falta em toda a região”. Só que na volta do caminho, na persistência, encontrar uma banca. Esta, rodeada de viciados em crack. Meu preconceito interno já pensou ser uma “boca”, que lá não teria {figurinhas} . Continue reading Boa tarde, tem figurinha da Copa?

Advertisements

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte final: 99% anjo e 1% vagabundo.

Para quem ainda não leu os dois primeiros textos da série, pode clicar aqui 1ª parte e aqui 2ª parte.

 

IMG_20170719_114124

O crossfit continuava a disputar espaço no meu coração e no meu abdômen com a cerveja. Reeducar-se na alimentação era foda demais pra bancar o bom moço na box. Quanto mais você deseja levar a sério o esporte, mais eventos regados à cerveja e acompanhamentos aparecem. Eu era uma presa fácil.

No crossfit comecei a perceber a diferença de performance quando ingeria álcool. Se você praticamente “morre” fazendo um exercício, alcoolizado você “morre” e vai para o inferno fritar seus músculos. Essa diferença pode ser exemplificada.

giphy (2).gif

Coach no crossfit há dois anos e meio, Cristiane Hanke desistiu de beber nos fins de semana, pois sua performance na semana posterior era totalmente influenciada pelo consumo de álcool. Após parar de beber, afirma que sentiu “diferença além de física – esteticamente, propriamente dito – também uma otimização em performance de treinamento em qualidade de vida”.

Imagine então quem bebia cerveja e comia maus carboidratos na semana toda? Era difícil evoluir e reduzir peso, no meu caso. Não basta mudar o corpo sem mudar a mente. O “anjinho” e a “diabinha” não iriam fazer um brinde, nem fazer burpees sincronizados, mas quem sabe cada um poderia ter o seu espaço, não é mesmo?

Agora que comecei a dar ouvidos para o “anjinho” (pelo menos um dos ouvidos), mudar a mente começou a se tornar possível. Os resultados estavam aparecendo. As medidas, o percentual de gordura e o peso reduzindo. As bermudas estavam servindo novamente. Aliás, agora com cinto. Os movimentos que pareciam impossíveis de fazer estão sendo executados, e mesmo os que não estão, parecem me desafiar para que eu tente até conseguir. As desculpas terminaram. Isso é crossfit. Eita “Anjinho” RX (RX é quando o exercício é feito sem adaptação, conforme prescrito originalmente)! Diferente de mim, ainda. O sujeitinho foi tão efetivo que não tive a mínima vergonha de entrar em um programa para obesos no local em que trabalho. Aproveitei a falta de interesse das pessoas que não querem mudar a mente e consegui uma vaga, mesmo não estando tão acima do peso. Tudo isso, mesmo com alguns deslizes, é uma evolução e tanta para mudar hábitos.

Aquela saudade da loirinha não batia, porque nos víamos às vezes, sem exageros. Isso vai ao encontro do que a crossfiter e nutricionista Thalita Pigato diz a seguir: “se você vê o crossfit como um hobbie, como um lazer, fica mais fácil conciliar a cerveja com o esporte. No entanto, evite ‘beber até morrer’, pois isso fará mal ao seu organismo. Beba em comemorações ou festas, mas sempre pensando em beber moderadamente, sem exageros”. Para os profissionais e para quem deseja a famosa barriguinha de “tanquinho”, ela recomenda que pare com a ingestão de álcool. Depende do objetivo de cada um a cada momento.

source.gif

Neste momento, meu objetivo é o equilíbrio. Fazer por merecer a cerveja no fim de semana, conforme pratico o crossfit. É não sentir saudade de tomar uma, por não ter que se privar disso, mas selecionar o “quando tomar”. É não sentir saudade do crossfit por estar praticando quase todo dia. Dar o melhor sempre, foco e realidade para evoluir. Equilíbrio é respeitar o treino e o descanso. É ter a consciência de que o 99% anjo e 1% vagabundo é algo totalmente aceitável nessa relação. Se fosse 99% vagabundo seria um “problemão”.

Lembre-se que o centro de gravidade de cada um é diferente. Onde uma pessoa se equilibra não necessariamente outra irá se equilibrar e vice-versa. Pode se alcançar um equilíbrio só com o exercício ou só com a cerveja, como relatado, no caso da Cristiane e do Guilherme, ou até em nenhum dos dois casos. O que é bom ou ruim? “Anjinho” ou “diabinha”? A resposta poderá até ser as duas coisas. Uma maçã, por exemplo, pode representar um fruto proibido, uma fruta saudável ou o símbolo do conhecimento; um exercício lesivo e saudável; uma cerveja lesiva ou saudável. Como quase dizia um tigre por aí, “desperte o equilíbrio que há em você”.

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte II: motivos para tomar, motivos para suar

Se ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Descomprometido com as atividades físicas, vi minha saúde cair de qualidade e minha barriga crescer junto com as desculpas. “Vou beber porque o cachorro do tio da vizinha fez aniversário; Vou comer porcaria porque tem jogo passando na TV; vou emendar a semana de provas com as férias, depois vejo o que eu faço”. Estava carente de alguma atividade física e explodindo de sódio e açúcares. A preocupação era minha, eu sei que muitos nem ligariam para isso. Somente beber parecia não ter graça, parecia que eu tinha que burlar uma dieta pra apimentar o negócio, ou melhor, fazer por merecer para tomar a tão esperada gelada.

simpson

Parti para uma caminhada sem destino e percebi diversas ofertas nas ruas e nas redes sociais. Bares, igrejas, academias, parques. Precisava de algo para gastar as energias. Essa vida de Reginaldo Rossi em mesa de bar não leva a lugar algum. De longe avistei uma “academia de crossfit”, e depois descobri que chamavam de “box”. Falavam que os preços eram caros, entrei em uma e conferi. Realmente eram acima dos preços das academias. A respeito do esporte, ouvi vários comentários do tipo “isso não adianta nada”, “isso não foca em nenhum músculo”, “coisa de playboy”. No começo absorvi este discurso, sem ao menos ter visto como funcionava. Era a diabinha sussurrando no meu ouvido.

Por ironia do destino, um dos amigos que haviam absorvido esse discurso raso a respeito do crossfit comigo foi o primeiro a mudar de ideia e que me influenciou diretamente a iniciar na modalidade. “Você vai pagar tudo isso pra fazer?” Eu falava. Depois de muito pesquisar preços e finalidade, começamos a fazer. Era o desafio que eu precisava. Os exercícios são feitos em uma intensidade que eu nunca vi em outras atividades físicas que eu havia praticado. Lá eu posso suar sem ter vergonha . Há apoio para você terminar o exercício e ninguém te olhava diferente porque você não sabe fazer alguma coisa. Logo de cara percebi que é uma atividade diferenciada, e a estrutura (local, coaches) já me fez entender o investimento. Muito bem empregado por sinal, pois aproveito ao máximo. Comecei a me sentir parte de um grupo. O “anjinho fitness” que um dia foi sedentário estava sedento por exercício.

Só que a “outra” nem precisou mandar um “oi sumido” no whats…

giphy

 

Para saber mais sobre o crossfit, clique aqui.

Há outras fontes na rede que também pode explicar mais detalhadamente sobre o Crossfit em geral.  Se interessou, procure uma box certificada em sua cidade.

continua…

 

Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte I: decisões

A partir de hoje começará a série em 3 capítulos no Regra denominada “Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers!”  Essa série contará o difícil caminho de um cidadão em equilibrar o álcool, a alimentação e as atividades físicas em sua vida. Sirvam-se, ou melhor preparem-se!

O telefone toca. É a outra. A outra face das vontades. Mesmo vestido para ir à academia, aquele convite sedutor pra tomar uma cerveja gelada cutuca, provoca. O tênis de treino, por um passe de mágica, já está desamarrado e o horário de ir para este encontro não programado foi decidido. A diabinha loira, com aquele colarinho, venceu novamente o “anjinho fitness” que fazia polichinelos no outro ombro.

homer1

Havia tempos em que era uma decisão praticamente unânime. Se realmente fosse uma convenção diabólico-divina de “diabinhas” e “anjinhos”, minha alma já estava vendida, e por um preço baratinho. A cerveja sempre vencia a academia, e nem precisava de melhor de três. Ser ou não ser? Casar ou comprar uma bicicleta? O questionamento de correr ou beber não chegava perto dessas perguntas clássicas. A pergunta mais viável neste momento era Happy hour ou Happy day? Heineken ou Bud? Batata ou polenta frita?

Se fosse em pensamento, já havia disputado até o Iron Man. Lá na cachola, o desejo de ser um atleta é muito maior do que de ser um cara que deseja beber até morrer. Não que eu fosse um bebedor incontrolável, nunca passei sequer perto dessa condição, mas me refiro às decisões. Faltava a atitude. O “anjinho” encostava o peito no chão para fazer uma flexão, mas não levantava mais.

Até que, em um belo dia, a “diabinha” deixou a conta de suas muitas estripulias. Minhas bermudas recém-compradas entraram no armário de um tamanho e saíram de lá menores, em questão de dois meses. Como diria MC Kevinho: “essa novinha é terrorista, olha o que ela fez no baile funk com as amigas”. No meu caso, a novinha terrorista era a cerveja. As amigas, os petiscos.

fritas

Definitivamente, fui à academia, dei um “gelo” nessa diabinha safada. Perdi uns quilinhos, era elogiado, mas vivia pensando nela, na cervejinha, que vinha companhada das más companhias: o amendoim japonês, o aipim frito com bacon. Ai meu coração, frito, na mesa do bar, com limão. Era o tão desejado dia do “lixo”. O problema não estava resolvido. A outra não saia da minha cabeça. Era como se fosse uma traição na lua de mel, que também me lembra daquele doce gostoso de mesmo nome. Pensamento obeso.

Mas muitos tratam a “outra” como oficial. Nem sempre a cerveja é vilã da história. No Egito Antigo, por exemplo, já foi utilizada até para tratamento de doenças. Hoje, também é paixão, é ganha-pão.

Para o sommelier de cervejas e dono de bar Guilherme Aleixo, a relação que leva com a cerveja é muito além de um passatempo. É caso sério, di tipo “bebeu e levou para casa”. Em virtude dessa nova paixão, que se tornou trabalho, Guilherme prioriza o que conquistou com a cerveja. A prioridade é seu bar e seu néctar dos Deuses, deixando o treino como segundo plano. Precisou abandonar a academia. Guilherme diz que a escolha foi algo natural, foi do tipo “rolou”, pintou a química. “Como eu já estava apaixonado pelo universo das cervejas, não foi muito difícil decidir que, se eu pudesse, optaria por viver de cerveja, fosse produzindo ou vendendo (melhor se forem os dois)”. Hoje, segue a filosofia do “beba menos, mas beba melhor”. Não é qualquer vagabunda que entra no seu bar. Nesse caso, a relação já atingiu um estágio ideal de maturação.

Mas essa não era a relação que eu queria e nenhuma história bonitinha do Gugu ou do Mussum me faria mudar de opinião.

Pensava na bebida só como a “outra”, tipo o “proibido é mais gostoso”. Na minha visão (e no meu paladar) o universo das cervejas era praticamente um “inferninho”, nada pueril. Eu não queria apresentar ela para a família, como fez Guilherme. A consequência disso é que não havia equilíbrio. O desinteresse pela academia era contagiante ao mesmo tempo em que minha cabeça não estava preparada psicologicamente para esquecer alguns “pecados” do passado. Não há como seguir uma relação séria sem tirar a outra da cabeça. A academia não me estimulava mais.

Não há como persistir em uma relação tão superficial desse jeito. Em outrora, gostava da natação, porém ela tirava muita grana do meu bolso e não devolvia minhas bermudas. Já as corridas me faziam bem, mas ainda faltava um tempero a mais.

 

continua…

 

 

Transmissão de futebol – parte 3: em qual canal está passando o jogo?

Chegou um belo dia em que assistir a um jogo do seu time (fora do eixo Rio-SP) deixou de ser uma utopia, mas o “almoço grátis” continua não existindo. Agora esta refeição pode ser rachada em mais pessoas na casa. Isso quer dizer que as pessoas crescem, entram no mercado de trabalho, ganham seus salários e gastam com os desejos e necessidades que bem entendem. Entre esses desejos, foi a “vaquinha” da TV a cabo.

Ah a tão sonhada TV a cabo! Coisa que nos anos 90 parecia era de magnata! A cobiça de “agora vou poder ver todos aqueles jogos” está tão próxima de se tornar realidade! Jogos em horários diferentes daqueles (depois do Faustão ou das novelas) era algo a ser comemorado, mas para alcançar a “plenitude” (que depois você descobre que não é tão plena assim) você precisava dar um passo a mais. A TV fechada joga  a isca, que é o campeonato que você quer assistir. Mesmo passando jogos em outros horários, ainda são limitados. O peixe mordeu a isca e  agora será puxado pelo anzol,  pois pode adquirir o Pay Per View.  O almoço que nunca foi grátis, agora precisa de uma “vaquinha” maior para o peixe assinar de vez o vínculo com o serviço.

Aquele ritual de ir até o Chevette ligar o rádio está cada vez mais distante.  Antes, o horário do jogo estava na agenda, na memória. Hoje, o jogo passou e a correria diária te faz ver o resultado depois, mesmo com aquele pensamento de “puts, perdi o jogo”. Muitos ainda mantém o compromisso,  mas outros só querem ver o resultado e zoar com a cara do amigo que torce para o rival sem sequer ter visto o jogo, nem os melhores momentos.  Até nisso a comunicação ficou mais dinâmica.  Hoje é muito fácil ver os gols no site ou nas redes sociais após a partida, ou apenas o resultado, é questão de segundos. Até se nem fizer nada,  o resultado chega até você.  Basta ter conexão  no seu celular, que irá receber milhares de memes via whatsapp. Memes dos mais criativos aos mais toscos.

O espectador não precisa mais ligar o rádio e ouvir meia hora de comentários se o que ele quer saber é apenas o resultado. Ele não precisa mais aguardar os gols do Fantástico no domingo à noite. Não mais.

Transmissão de futebol – parte 2: televisor Telefunken

No fim dos anos 90, a disputa era acirradíssima. Não me refiro a uma partida de futebol que foi para os pênaltis e decidido apenas nas cobranças alternadas, mas era quase. Digo isso porque o único aparelho televisor decente da casa, um da marca Telefunken 20 polegadas agora começou a ser disputado para ver mais uma atração: se antes a disputa era entre o jornal, a novela das 9, o lançamento da MTV aberta  e os gols do Allejo no game International Superstar Soccer do Snes, agora os jogos regionais fora do eixo Rio-São Paulo começavam a ser transmitidos aos domingos.  Enquanto isso dava pra fritar um ovo encima da TV, pelando de tanto tempo ter ficado ligada.

telefunken tv televisão futebol transmissão
Televisor da marca Telefunken – “pegava fogo” aos domingos em dia de jogo.

Assistir União Bandeirante x Paraná Clube ao vivo na TV aberta era um luxo. Nesta época a Rede Globo iniciou um processo de regionalização dos jogos. Era a lua de mel da dupla AtleTiba com a filial . Hoje, a relação está desgastada. AtleTiba convida visita, não avisa a rede; reclama da divisão de despesas; quer conhecer pessoas novas; não comparece. Definitivamente AtleTiba quer penetrar em outro canal.

Mas na época em que a Rede Globo distribuía um bouquet de rosas para a dupla AtleTiba e uma rosa para o Paraná Clube, o banco do Chevette ainda era bastante esquentado, pois havia apenas um jogo na semana do trio de ferro. Do Paraná Clube, era um por mês e olhe lá.

“Domingo, quero te encontrar, e desabafar todo o meu sofrer”…

Domingo era dia de ver jogo e neste momento, já não havia vez pra ver Só pra Contrariar no Domingo Legal.  Deixa pra ouvir no pré jogo, também chamado de churrasco.

Após o pentacampeonato da seleção brasileira de futebol em 2002, o futebol cada vez mais ganhou espaço na programação, seja nas mesas redondas ou nas transmissões ao vivo, seja em TV  aberta ou não. Os canais de esportes à cabo estavam ascendentes. Simultaneamente, cada vez menos o rádio do Chevette era usado, até o momento em que o carro foi vendido. Já o Telefunken, estava cada vez mais frio, até que se aposentou, e se falasse, diria: “dever cumprido”.

Nessa época, a internet engatinhava na cobertura. A notável cresceu mais independente e sedutora do que nunca e AtleTiba quer se envolver com este pedaço de mau caminho. Ou seria bom caminho?   Pela lei, não é crime. Seja pela Lei Pelé, da Xuxa ou qual for.

Aguardem a última parte da trilogia.

Transmissão de futebol – parte I: o rádio do Chevette

Após bela tabela da dupla AtleTiba, ao estilo Romário e Edmundo nos tempos de Vasco da Gama, brigados mas jogando em prol de um objetivo comum, saiu um gol de placa. As torcidas vibraram e a nova era da comunicação está em comemoração até agora . O jogo estava passando de graça pra quem quisesse ver via Facebook e Youtube  pelas páginas dos times no dia 1º de março,  dessa vez sem interferência de redes televisivas na compra dos direitos de imagem do clássico.

Finalmente apareceu uma resistência, que daqui pra frente pode ser classificada como “ameaça” ao monopólio de transmissões de jogos de futebol pela TV. A ideia de transmissão de jogos pelo Youtube tende a ficar em alta devido a este momento, os anunciantes já estão habilitados para mandar aquele “Oi sumido” no whatsapp da direção dos clubes.

Esta tendência de quebra de paradigma na transmissão nos próximos anos me faz lembrar as fases de transmissão que acompanhei no decorrer dos anos, desde que comecei a me interessar pelo esporte. A primeira parte eu conto hoje.

Jogos na TV eram só  às quartas e sábados, ou sábado e domingo ou quarta e domingo na rede Globo. Na rede Bandeirantes, ainda passava em outros dias jogos de alguns campeonatos menos populares. Pay per view não era pop nos anos 90, era coisa de “patrão”.

Nessa época, ou você via jogos dos 4 grandes do eixo Rio-São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo) ou não via jogo algum na TV.

Era apenas um jogo passando na TV. Naquela época não tinha “bolinha” no canto da tela e nem escolha de qual jogo quer ver. Era esse anunciado na propaganda e ponto final. Com isso, a Rede Bandeirantes lançou compactos dos jogos que passavam logo após o horário das partidas –  geralmente confrontos dos times do Eixo Rio-São Paulo.

Isso me faz lembrar um vizinho, que pedia encarecidamente para que ninguém falasse os resultados para ele, pois ele iria assistir o compacto do jogo do seu clube, sem spoilers. Um belo dia, por um lapso, seu filho falou o resultado do jogo, e o controle remoto quase foi parar na cabeça do garoto.

Para saber jogos do time trio de ferro da capital paranaense, só indo aos estádios, ou recorrendo ao radinho. Em compactos, só se enfrentasse algum time dos citados acima.

“Afinal, quem se importa com times de outros estados, não é mesmo?” 

As transmissões de rádio foram muito importantes nessa época. Lembro que eu pedia para o meu pai para ouvir o jogo em alguma rádio AM no carro (nessa época passava jogos em poucas rádios FM, quase nenhuma). A bateria do chevette não arriou e a minha imaginação era cada vez mais abastecida a cada lance narrado.

som radio

O lado bom era que você ouvia, fechava os olhos e deixava a sua imaginação fazer o resto. O locutor falava que foi um chute de fora da área, no ângulo direito e você imaginava como foi, como a rede balançou, como o jogador comemorou,  assim como imagina uma descrição de  uma passagem em uma história de livro. Era um teste pra ver se a imaginação convergia com os gols filmados pelas câmeras, depois ao ver na TV.

Às vezes me sentia enganado, assistindo ao lance nem parecia tão emocionante assim. Aí é que entra o lado ruim por ver os gols do Fantástico ou no dia seguinte. A imaginação era melhor, o gol era mais bonito na minha cabeça, o lance era mais perigoso à meta do outro clube do que o take de melhores momentos do programa de esportes. Mas a ansiedade era tanta, meus olhos precisavam ver o que a lente viu.

Só tenho a agradecer ao meu pai, por me emprestar o carro pra ouvir jogo, e a cobertura das rádios. Talvez ao ver os lances, os olhos dos narradores de rádio brilhassem mais do que os de TV. Eles precisavam colocar este brilho na voz, para que este reflexo atingisse em cheio a nossa imaginação e os nossos corações.

Aguardem a parte II.