Adeus, amor

 Olho no olho. Uma certa distância. Você desvia o olhar e torna a ver. Dessa vez reparando se a pessoa ainda te mira, e mira. Ajeita a postura para parecer elegante, os dois.

 É amor, você sabe. Do tipo mais sincero que existe. Porém é triste. A qualquer momento ela vai embora. Continuar lendo “Adeus, amor”

Por favor, não mate meu São João

 São João Batista de Boa Viagem tinha só vinte e quatro anos de idade quando recebeu das mãos de finado Frei Manoel da Costa o Candeeiro do Santo Fogo Encantado. Lhe disse Frei Manoel que os milagre do candeeiro levariam alegria pro povo do sertão e essa seria a missão de São João. Onde chegasse deveria acender uma fogueira com o fogo do candeeiro e fariam festa. Ainda lhe alertou que João tomasse muito cuidado, pois uma vez que se apagasse o candeeiro o santo fogo deixaria de existir e as pessoas se esqueceriam de seus milagres. Continuar lendo “Por favor, não mate meu São João”

Só mais dez minutos

Não existe crise existencial mais conhecida que a crise dos dez minutos. Aquela que se alimenta das suas energias no tempo preenchido pela soneca entre o primeiro alarme de manhã e o segundo, terceiro, quarto. Você desperta mais cansado que quando foi deitar, aparentemente. Seu nome, seu trabalho, sua vida… tudo parece ter menos significado que tatuagem brega de adolescente, e a única coisa que a sua consciência espera de você é uma decisão muito simples: Levantar ou dormir mais dez minutos?! Quem nunca acordou e ficou sentado na beira da cama tentando recuperar a memória que atire a primeira pedra.

Continuar lendo “Só mais dez minutos”

Varrido pela Autoridade

 Uma das coisas que eu menos gosto de fazer na vida é, sem dúvida, varrer o quintal. Durante as semanas uma camada de poeira vai se formando sobre o chão e em algumas épocas do ano dá pra colher um saco de folhas secas que caem das árvores dos vizinhos. Não que eu seja preguiçoso ou relaxado, mas, na falta de adjetivo, prefiro me classificar … Continuar lendo Varrido pela Autoridade

A arte de ler o prefácio

 Levei cinco anos para terminar de ler Dom Casmurro, clássico escrito por Machado de Assis, publicado em 1899 e considerado um dos livros mais fundamentais da literatura brasileira. Durante esse tempo tentei várias vezes fazer a leitura completa, visto a importância da obra, mas, por capricho, sempre desisti em qualquer capítulo.  Meu primeiro contato com Dom Casmurro foi através de uma adaptação para a televisão … Continuar lendo A arte de ler o prefácio