Me perdoe, eu

Hoje acordei com arrependimentos. Me arrependi do dia em que eu fiquei em silêncio diante da maior poesia que eu já vi até agora. Ela não tinha versos, métrica e tampouco grandes parágrafos. Era um silêncio infinito, contornado por toda dor e por todo alívio que existe no mundo. Foi um instante, um lapso, havia dezenas de pessoas ao meu redor e ninguém foi capaz … Continuar lendo Me perdoe, eu

Náufragio

Naufrago como quem nunca fez questão de nadar. Não há ar nos meus pulmões que me inspirem mover meus braços, soltar meu corpo, bater os pés. É quase um sussurro, é uma rejeição sutil, é um pedido de desculpas para a vida. Desculpe, agora não quero viver. Desculpe, agora não quero abrir os olhos. Desculpe, agora não quero ter que me preocupar com ninguém. Desculpe, … Continuar lendo Náufragio

Sobre mentiras e verdades duvidosas

Esse é um texto sobre outras pessoas. Não é sobre você, ou sobre mim, nem alguém que conhecemos. É sobre tudo o que há ao redor e nós fingimos que não nos toca. É sobre a necessidade alheia que, no fundo, também nos pertence. É sobre a grama verde do vizinho, sobre o teto de vidro dos outros, é sobre os calos alheios. Não é … Continuar lendo Sobre mentiras e verdades duvidosas

O fabuloso destino de Dona Certeza

Dona Certeza se levantou pela manhã, calçou seus chinelos de pano e fez seu ritual matinal de beleza: lavou o rosto, escovou a dentadura, penteou os cabelos e colocou os óculos. Munida de certeza absoluta do que iria vestir, colocou seu vestido de domingo, tomou seu café da manhã, os onze comprimidos para suas doenças que iam de diabetes até depressão, e foi à missa. … Continuar lendo O fabuloso destino de Dona Certeza

Bolsa de valores afetivos

Peguei todas as minhas economias, coloquei-as sobre a mesa e disse sem dó, sem piedade e sem o mínimo de responsabilidade sobre meu possível prejuízo: está aqui. Estou aqui. Eu havia economizado por anos todo aquele sentimento. Guardei na poupança, até que criasse juros. Juros esses que eram bons. Virou amor próprio, aprendi a ler meus sinais, respeitar meus tempos. Eu perdi o medo da … Continuar lendo Bolsa de valores afetivos

Tirando pedestais

“Não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores, a história será implacável com eles”, essa frase é de Dilma Rousseff em um pronunciamento. Não poderia fazer mais sentido do que agora. Vivemos uma geração que repete o erro de nossos ancestrais, de colocar em pedestais o ser mais frágil do planeta, que é o homem. Endeusar qualquer pessoa é um erro fatal … Continuar lendo Tirando pedestais