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Autista tem crise após ser impedido de entrar em ônibus com cão de serviço

Autista tem crise após ser impedido de entrar em ônibus com cão de serviço
Cão de serviço utilizado por Kaito Brito. Foto: Reprodução/Redes sociais

O estudante Kaito Brito, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi impedido, na última sexta-feira (29), de utilizar o transporte público de Curitiba. Fiscais da Urbanização de Curitiba (URBS), empresa que administra o sistema de transporte da capital paranaense, impediram o jovem de 29 anos de entrar em um ônibus com o cão de serviço que o acompanhava. Sem poder voltar para casa, Kaito passou mal, teve crises de choro e precisou ser socorrido pelo próprio animal. Um vídeo gravado pelo estudante e publicado nas redes sociais registra o momento em que os profissionais não permitem a entrada no ônibus.

Segundo Kaito, ele costuma utilizar a linha de ônibus em que foi impedido, sem problemas com passageiros. “Era um motorista que já estava habituado a me ver entrando, eu já conhecia ele. Eu nunca tive problema com ninguém. Mesmo assim, o fiscal só mandou o motorista fechar a porta e ir embora”, conta o estudante. O jovem afirma que o cão de serviço estaria em treinamento e já o acompanhava no transporte público, inclusive, com identificação do uso na coleira. “Eles só ignoraram. Sexta-feira, quatro e meia da tarde, eu já estava no centro com meu cão de serviço, como eu iria voltar para casa?”, questiona.

Confira o vídeo compartilhano nas redes sociais:

Como é também confirmado pelas imagens gravadas no momento em que é barrado, Kaito argumenta com os fiscais que andar com o cão de serviço é um direito garantido a ele pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.146/2015), do Estatuto da Pessoa com Deficiência. De acordo com a legislação, pessoas com deficiência têm direito ao uso de “tecnologia assistiva”, ou seja, “produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços” que ajudem na locomoção.

Kaito ressalta que o animal não era um cão de suporte emocional, que possui uma função diferente do cão de serviço. “Um cão de suporte emocional realmente não pode entrar no ônibus porque não tem treinamento, seleção, não tem nada. Diferente do cão de serviço, que desde filhote é pego para fazer o adestramento com esse intuito”, explica. O cachorro de Kaito já o acompanha há cerca de cinco meses.

O cão de serviço também socorreu o jovem autista, que passou mal depois do desentendimento com os profissionais da Urbs. “Eu comecei a ficar nervoso, porque é o ônibus que passa na frente da minha casa e eu não consegui mais pensar em nada, só me deu desespero. A maioria das coisas da prefeitura estariam começando a fechar. Eu achei muito insensível da parte dele ter ignorado quando eu falei que existe a Lei Brasileira de Inclusão. Não me interessa o que ele acha, o que me interessa é o que está na lei, e eu, como pessoa com deficiência, tenho direito a ter uma tecnologia assistiva comigo”, relata Kaito. Por conta da deficiência, o estudante é isento de pagar a passagem de ônibus na cidade, o que o deixou ainda mais revoltado.

“Tentei abrir um boletim de ocorrência na Polícia Civil, mas não deu tempo. Eu comecei a entrar em crise. O meu cão de serviço me ajudou fazendo terapia de pressão. Eu ainda tive o estresse de, enquanto ele me ajudava, outras pessoas terem atrapalhado. Ficaram chamando a atenção dele, até que eu, chorando, em plena avenida, pedi para as pessoas não atrapalharem”. Segundo ele, o retorno para casa só foi possível por “sorte”, pois servidores da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência tinham um horário livre e conseguiram atendê-lo.

Passado o ocorrido, o estudante publicou vídeo que mostra a situação e pediu apoio de internautas. Ele diz já ter vivido situações em que cobradores e outros profissionais do transporte público questionaram o uso do animal, mas que nunca houve algo “nesse nível”. “Ainda não criei coragem de pegar ônibus [novamente]”, desabafa.

O que diz a URBS

Em nota enviada ao Regra, a URBS, por meio da Prefeitura de Curitiba, declara que a entrada de animais no transporte coletivo é proibida, de acordo com o decreto 1.356/2008, com exceção do cão-guia para pessoas cegas ou com baixa visão. “Não há lei federal ou municipal que regulamente o uso de ‘cão de assistência’ ou ‘cão emocional’ em espaços públicos ou privados”, afirma a empresa.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

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