BANCADA DO PSOL E JOENIA WAPICHANA PROTOCOLAM REPRESENTAÇÃO CONTRA GOVERNADOR DO DF NA PGR

A deputada indígena Joenia Wapichana, junto da bancada do PSOL, protocolou na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais, a representação contra o governador do Distrito Federal (DF) Ibaneis Rocha, a respeito da repressão cometida contra os povos indígenas que aconteceram no final da manhã desta terça-feira (22), na Câmara Federal.

Lideranças indígenas que estão em Brasília para protestar contra o PL 490/07, que trata da demarcação de terras indígenas, foram reprimidas pela Polícia Militar do Distrito Federal no início da tarde desta terça-feira (22) nos arredores do Congresso Nacional. Apesar da manifestação pacífica, a PM usa bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar as lideranças. “A polícia usou da força para agredir e oprimir nosso povo mais uma vez”, disse uma das lideranças presentes no ato.

Foto: Marcelo Carvalho / Agência Brasil

As lideranças indígenas que estão em Brasília para protestar contra o PL 490/07, que estava em pauta na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), contra a tese do marco temporal e contra o garimpo ilegal, foram atacadas pela Polícia Militar (PM) com diversas bombas de efeitos moral, gás lacrimogênio e disparos de bala de borracha.

“É flagrante a prática de abuso de autoridade e de outras formas criminosas de violência, devendo ser prontamente apurada a responsabilidade das autoridades no comando das ações, bem como pormenorizar a dinâmica dos fatos que ensejaram na violação de direitos dos povos tradicionais que se encontram em Brasília no pleno exercício do direito de manifestação para demonstrar insatisfação com os rumos da política nacional”, afirmam os parlamentares.

“Nossa solidariedade a quem foi ferido, é um absurdo”, disse a deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), primeira deputada federal indígena eleita no Brasil, aos manifestantes. “É importante a união de todos, parlamentares, indígenas, estamos com a razão, não vamos perder a razão porque é isso que eles querem”, afirmou.

“A casa do povo receber os povos originários dessa maneira é uma vergonha”, disse a deputada Fernanda Melchiona (PSOL) aos manifestantes.

Em nota enviada à reportagem, o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) disse que a PM foi acionada após os seguranças do Congresso terem reagido com bombas de gás lacrimogêneo. Durante a ação, um policial militar foi atingido por uma flechada no pé e socorrido pelo serviço médico do Congresso. De acordo com o PM a  tropa de choque está no local.

A Assessoria de Imprensa da Câmara dos Deputados alegou em nota que por volta das 12h30 desta terça-feira, cerca de 500 indígenas armados com flechas e tacapes tentaram invadir o Anexo II da Câmara, derrubaram  os gradis da entrada do edifício e os arremessaram contra os policiais legislativos. Logo depois, teriam disparado flechas contra os Policiais Legislativos que repreenderam a ação com bombas de efeito moral, gás de pimenta e gás lacrimogêneo. A Assessoria, no entanto, nega que a polícia tenha feito disparos de bala de borracha contra os manifestantes.

Contudo, as imagens mostram que o ataque foi desproporcional. Abaixo você confere as bombas de gás usadas contra os manifestantes:

Kelli Kadanus/Agência Regra

Em um trecho da representação assinada por Joenia e a bancada do PSOL, destaca-se a narrativa dos ataques ocorridos:

“Na data de hoje, 22 de junho de 2021, havia reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC para discutir e votar, dentre outros itens, o parecer pela aprovação do PL 490/2007, o que fez com que os indígenas se organizassem em manifestação em frente ao anexo II da Câmara dos Deputados. Neste momento, sem qualquer justificativa aparente e em flagrante violação aos princípios constitucionais que regem o ordenamento jurídico brasileiro, membros da Polícia Legislativa e da Polícia Militar do Distrito Federal deram início à violenta repressão, que resultaram em cenas de extrema barbárie contra pessoas desarmadas, dentre as quais mulheres, crianças e idosos”, afirma o documento.

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