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BARROSO REBATE MENTIRAS DE BOLSONARO SOBRE PROCESSO ELEITORAL E DEFENDE A DEMOCRACIA

BARROSO REBATE MENTIRAS DE BOLSONARO SOBRE PROCESSO ELEITORAL E DEFENDE A DEMOCRACIA
(Foto: Roberto Jayme/ASCOM/TSE)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, rebateu nesta quinta-feira (9) as mentiras ditas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o processo eleitoral brasileiro em seus pronunciamentos durante atos antidemocráticos no feriado de 7 de setembro. O ministro também saiu em defesa da democracia. As declarações foram dadas durante abertura da sessão desta quinta no tribunal. “Eu vivi a ditadura. Ninguém me contou. E vejo com tristeza muitas vezes pessoas que sentem que perderam a fé no futuro e tem saudades de um tempo bom que não houve. Ditaduras vem com intolerância, violência e perseguições”, alertou o ministro.

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(Foto: Roberto Jayme/ASCOM/TSE)

Barroso também aproveitou o pronunciamento para fazer uma defesa enfática da democracia e atacar o populismo, o autoritarismo e o extremismo que, segundo o ministro, são fenômenos mundiais. “Já começa a ficar cansativo no Brasil ter que repetidamente repetir falsidades para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade”, afirmou Barroso. “É muito triste o ponto a que chegamos”, completou o presidente do TSE.

“A democracia vive um momento delicado em várias partes do mundo”, afirmou Barroso. O ministro citou os casos de países como Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua e El Salvador. “É nesse clube que muitos gostariam que nós entrássemos”, afirmou, em alusão às manifestações golpistas do 7 de setembro.

“Em todos esses casos, a erosão da democracia não se deu por golpe de Estado, sob as armas de algum general e seus comandados. Nos exemplos acima, o processo de subversão democrática se deu pelas mãos de presidentes e primeiros-ministros devidamente eleitos pelo voto popular. Em seguida, paulatinamente, vêm as medidas que desconstroem os pilares da democracia e pavimentam o caminho para o autoritarismo”, disse o presidente do TSE.

O ministro também ressaltou que o autoritarismo “sempre assombrou” a América Latina. “Em democracias recentes, parte das novas gerações já não tem na memória o registro dos desmandos das ditaduras, com seu cortejo de intolerância, violência e perseguições. Por isso mesmo, são presas mais fáceis dos discursos autoritários”, disse. “Uma das estratégias do autoritarismo, dos que anseiam a ditadura, é criar um ambiente de mentiras, no qual as pessoas já não divergem apenas quanto às suas opiniões, mas também quanto aos próprios fatos”, explicou.

Defesa das eleições

Barroso também aproveitou o pronunciamento para desmentir, ponto a ponto, as mentiras ditas por Bolsonaro sobre o processo eleitoral brasileiro e sobre as urnas eletrônicas.

“É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”, disse o presidente do TSE.

“As eleições brasileiras são totalmente limpas, democráticas e auditáveis. Eu não vou repetir uma vez mais que nunca se documentou fraude, que por esse sistema foram eleitos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro e que há 10 (dez) camadas de auditoria no sistema”, garantiu Barroso.

Barroso também atacou a ideia de contagem manual de votos, defendida por Bolsonaro. “Agora: contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais”, disse.

Reações ao discurso de Bolsonaro

Os presidentes dos Poderes Legislativo e Judiciário, além de outras figuras públicas, se manifestaram nesta quarta-feira (8) em defesa do respeito à Constituição e à democracia após os discursos golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente participou de manifestações com pautas antidemocráticas no feriado da Independência do Brasil e chegou a dizer que não cumprirá mais ordens do ministro Alexandre de Moraes.

A reação mais contundente partiu do Poder Judiciário. O presidente do STF, Luiz Fux, foi enfático ao afirmar que “ninguém fechará essa Corte” no início da sessão no plenário desta quarta-feira (8). Segundo Fux, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao dizer que não obedecerá a ordens judiciais. “Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade a ser analisado pelo Congresso Nacional”, disse. 

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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