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BOLSONARO DISCURSA EM ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS E AMEAÇA STF: OU FUX ENQUADRA MORAES OU PODE SOFRER AS CONSEQUÊNCIAS

BOLSONARO DISCURSA EM ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS E AMEAÇA STF: OU FUX ENQUADRA MORAES OU PODE SOFRER AS CONSEQUÊNCIAS
Fotos: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou nesta terça-feira (7) na manifestação com pautas antidemocráticas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os manifestantes pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e a volta da ditadura. Em seu discurso, o presidente ameaçou o STF. “Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”, disse Bolsonaro, em alusão ao presidente do Supremo, Luiz Fux, e o ministro Alexandre de Moraes.

O presidente centra suas críticas em dois ministros específicos do STF: o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos das fake news e das milícias digitais que financiam atos antidemocráticos, e Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi um contraponto à proposta do voto impresso, defendida por Bolsonaro.

Fotos: Marcos Corrêa/PR

O presidente discursou em um carro de som na Esplanada, diante de milhares de apoiadores que defendem pautas antidemocráticas. Durante a manhã, a Polícia Militar precisou usar spray de pimenta para controlar os manifestantes.

Não mais aceitaremos que qualquer autoridade, usando a força do poder, passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação, ou qualquer certeza que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica [em alusão a Moraes] da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder [Luiz Fux] enquadra o seu [Moraes], ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Porque nós valirzamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada poder da República”, disse Bolsonaro. “Aqui na Praça dos Três Poderes, juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede pra sair”, completou.

A fala de Bolsonaro é inconstitucional por atacar a harmonia e a independência dos Poderes, além de incitar a população contra um poder específico.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) usou spray de pimenta nesta terça-feira (7) para conter manifestantes pró-Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios. Um grupo de manifestantes tentou romper um bloqueio perto do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubando grades de proteção e causando confusão.

Os manifestantes foram convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para participar de um ato com pautas antidemocráticas, com ameaças a ministros do STF e ao Congresso Nacional. Na semana passada, Bolsonaro chegou a dizer que os atos do feriado seriam “um ultimato” a ministros do Supremo.

A utilização de PMs em uma tentativa de Bolsonaro em criar uma ruptura institucional é vista com preocupação por governadores e especialistas em segurança pública. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) acende um alerta sobre a radicalização das forças de segurança pública no Brasil. O estudo mostra um salto na participação de oficiais da Polícia Militar e profissionais da Polícia Civil em ambientes radicais. 

A temperatura da crise tem aumentado, assim como a apreensão entre políticos em Brasília. Dentre as ameaças feitas por apoiadores de Bolsonaro e que circulam nos bastidores da política está a de uma possível invasão de manifestantes ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora, nos bastidores, seja dado como certo que as Forças Armadas não embarcariam em uma aventura golpista, a situação das polícias militares não é tão cristalina. 

Nesta segunda-feira (6), ex-presidentes, ministros e parlamentares de 26 países demonstram preocupação com manifestações bolsonaristas de 7 de setembro. Mais de 150 autoridades assinam o documento capitaneado pela rede global Progressive International.

“Nós, representantes eleitos e líderes de todo o mundo, soamos o alarme: Em 7 de setembro de 2021, uma possível insurreição colocará em perigo a democracia no Brasil”, diz trecho da carta.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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