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Retórica de Bolsonaro contra imprensa descamba para violência física em Roma

Retórica de Bolsonaro contra imprensa descamba para violência física em Roma
Foto: Alan Santos/PR

A retórica do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a imprensa brasileira escalou para agressões físicas a jornalistas que cobriam a estadia do presidente em Roma para participar do encontro do G20. Agentes de segurança italianos e brasileiros deram socos, empurraram, arrancaram celular de um repórter que filmava o ato, seguraram, gritaram e impediram repórteres de chegar perto do presidente em uma manifestação pró-Bolsonaro com brasileiros que vivem na Itália neste domingo (1). 

As principais entidades de imprensa brasileira repudiaram o episódio e atribuem a Bolsonaro a responsabilidade pela agressão aos jornalistas. 

“A violência contra os jornalistas, na tentativa de impedir seu trabalho, é consequência direta da postura do próprio presidente, que estimula com atos e palavras a intolerância diante da atividade jornalística”, disse a Associação Nacional de Jornais (ANJ).

A ANJ defendeu a apuração do caso e a punição dos responsáveis pelas agressões. “A impunidade nesse e em outros episódios é sinal de escalada autoritária”, diz a entidade. 

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A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disse, em nota, que “não condenar atos violentos de seus seguranças e apoiadores a jornalistas que tão somente estão cumprindo seu dever de informar, o presidente da República incentiva mais ataques do gênero, em uma escalada perigosa e que pode se revelar fatal”. 

Já a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em uma carta direcionada a Bolsonaro, afirmou: “com o seu comportamento avesso à democracia e com ataques constantes à imprensa e ao trabalho dos jornalistas, o senhor estimula essas agressões. Assim, torna-se também responsável por elas”. 

Segundo o site G1, Aaerguntar o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G20 com outros líderes, o correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, recebeu um soco no estômago e foi empurrado com violência por um segurança.

Repórter do UOL, Jamil Chade tentou filmar a violência contra colegas e foi empurrado por um segurança, que o agarrou pelo braço para torcê-lo e levou o celular. Logo depois, o segurança jogou o aparelho num canto da rua. Chade prestou queixa na polícia italiana após o episódio. 

A repórter da Folha de S. Paulo, Ana Estela de Sousa Pinto, também foi empurrada diversas vezes por seguranças de Bolsonaro e policiais italianos. 

O discurso anti-imprensa de Bolsonaro e agressão a jornalistas

Os ataques de Bolsonaro à imprensa brasileira não são uma novidade. Desde a campanha eleitoral, o presidente ataca veículos de imprensa e jornalistas. Parte dos profissionais da imprensa que acompanhavam a saída do presidente da residência oficial, diariamente, em Brasília, decidiu deixar a cobertura por não se sentirem seguros. 

No “cercadinho do Alvorada”, espaço oficial destinado à imprensa na residência oficial, os jornalistas conviviam diariamente com apoiadores de Bolsonaro, que instigados pelo presidente, eram hostis com os profissionais. 

A falta de segurança para profissionais de imprensa também é comum em manifestações a favor do presidente. No dia 7 de setembro, data em que Bolsonaro fez ameaças golpistas em manifestações pró-governo, jornalistas que cobriam o ato em Brasília foram vítimas de agressão. 

Em nota sobre as agressões deste domingo, o jornal Folha de S. Paulo afirmou que “repudia as agressões sofridas pela repórter Ana Estela de Sousa Pinto e outros jornalistas em Roma, mais um inaceitável ataque da Presidência Jair Bolsonaro à imprensa profissional.”

A rede Globo também se posicionou e afirmou que “condena de forma veemente a agressão ao seu correspondente Leonardo Monteiro e a outros colegas em Roma e exige uma apuração completa de responsabilidades”. Segundo a emissora, “é a retórica beligerante do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas que está na raiz desse tipo de ataque”. 

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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