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BOLSONARO DIZ QUE MANIFESTAÇÕES SERÃO ULTIMATO A MINISTROS DO STF

BOLSONARO DIZ QUE MANIFESTAÇÕES SERÃO ULTIMATO A MINISTROS DO STF
Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira (3) que as manifestações programadas para o dia 7 de setembro serão um ultimato para “um ou dois” ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas últimas semanas, o presidente tem intensificado as críticas aos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

“Essas uma ou duas pessoas têm que entender o seu lugar. E o recado de vocês povo brasileiro na próxima terça-feira será um ultimato para essas duas pessoas. Curvem-se à Constituição. Respeitem a nossa liberdade. Entendam que vocês dois estão no caminho errado. Porque sempre dá tempo para se redimir”, disse o presidente em um evento na Bahia.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro chegou a pedir o impeachment de Moraes, mas o pedido foi arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O ministro do STF é responsável por inquéritos que investigam o presidente e seus aliados. Partiu dele, por exemplo, o mandado de prisão do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, e dos mandados de busca e apreensão contra o cantor Sergio Reis e o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ).

Bolsonaro também tem mostrado insatisfação com Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem se contraposto às fake news disseminadas pelo presidente contra o sistema eleitoral. Bolsonaro defendia a aprovação do voto impresso, alegando fraude nas urnas eletrônicas, mas a proposta foi enterrada pelo Congresso.

Instituições reagem a Bolsonaro

Às vésperas das manifestações previstas para o feriado, instituições bancárias e as cúpulas do Judiciário e do Congresso saíram em defesa da democracia e da harmonia entre os poderes. O presidente do STF, Luiz Fux, iniciou a sessão desta quinta-feira (2) com um alerta aos manifestantes que vão às ruas. Ele afirmou que o tribunal segue “atento e vigilante neste 7 de setembro em prol da plenitude democrática do Brasil”.

“Aproxima-se a data de 7 de setembro. Na qualidade de presidente da Corte Suprema impõe-se uma palavra de respeito à democracia nacional e das manifestações programadas para o feriado de celebração da independência do Brasil”, disse Fuz ao iniciar a sessão de julgamentos desta quinta-feira. “Somos, sem dúvidas, uma das maiores democracias constitucionais do mundo e desejamos que assim sejamos reconhecidos pela comunidade internacional”, afirmou o presidente do STF.

No domingo (29), o ministro Ricardo Lewandowski publicou um artigo no jornal Folha de S. Paulo no qual fazia um alerta parecido. O ministro afirmou que uma intervenção armada é um crime inafiançável e imprescritível.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também saiu em defesa da democracia nesta quinta-feira (2). “É fundamental e é pilar da democracia o diálogo. Não é possível interromper o diálogo com nenhum dos poderes, não é possível interromper o diálogo com nenhuma das instituições e não é possível não ouvir governadores dos estados e do DF. Essa lógica de diálogo permanente, em especial com os governadores, que são os que sabem a realidade de todos os estados brasileiros e do DF. É fundamental que estejamos abertos no Congresso para esse diálogo permanente, com consensos e que respeita divergências”. Pacheco defendeu um esforço entre os agentes políticos para a “construção de um ambiente de estabilidade política”.

Na quarta-feira (1), empresários mineiros divulgaram um manifesto destacando que a “ruptura pelas armas, pela confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia” e que “a democracia não pode ser ameaçada; antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada”.

Preocupação com as manifestações

A cooptação de profissionais da segurança pública pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para uma tentativa de ruptura institucional foi tema de uma reunião entre 24 governadores na semana passada. A temperatura da crise tem aumentado, assim como a apreensão entre políticos em Brasília. Dentre as ameaças feitas por apoiadores de Bolsonaro e que circulam nos bastidores da política está a de uma possível invasão de manifestantes ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora, nos bastidores, seja dado como certo que as Forças Armadas não embarcariam em uma aventura golpista, a situação das polícias militares não é tão cristalina. 

estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que há motivos para preocupação. A presença de profissionais das forças de segurança em redes bolsonaristas no digital aumentou 27% entre 2020 e 2021. Já a base dos membros de segurança pública que interagem nas redes sociais em ambientes bolsonaristas radicais subiu 24%.

*Colaborou Wanessa Alves

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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