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Bolsonaro colocou 27 milhões de pessoas no mapa da fome, total passa de 33 milhões

Bolsonaro colocou 27 milhões de pessoas no mapa da fome, total passa de 33 milhões
Foto: Pixabay

Durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) mais de 27 milhões de brasileiros entraram no mapa da fome. O número ultrapassa em seis vezes o total de 2018, antes do atual governo assumir o poder, quando um pouco mais de 5 milhões de brasileiros estavam nessa situação. Ao menos 33 milhões de brasileiros não têm o que comer, o que representa 15% de toda a população do país.

Os números são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, elaborado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) e executado pelo Instituto Vox Populi.

O levantamento também aponta que em 2022, um de cada três brasileiros já fez alguma coisa que lhe causou vergonha, tristeza ou constrangimento para conseguir alimento.

Em 2014, 5,1 milhões de brasileiros estavam nesta situação. Já em 2010, o governo Lula (PT) atingiu o menor número de brasileiros passando fome no Brasil, com 4,9 milhões. Segundo dados do relatório global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 2002, ano da eleição do ex-presidente Lula, e 2013, quando Dilma (PT) estava na metade do primeiro mandato, caiu em 82% a população de brasileiros em situação de subalimentação.

Assista abaixo uma reportagem do Jornal Nacional, feita em 2001, para ter uma melhor noção de como era a fome no Brasil no início dos anos 2000.

Essa realidade voltou. Os números durante o governo Bolsonaro são os piores em quase 30 anos. Em 1993, eram 32 milhões de pessoas passando fome no país, segundo dados Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Bolsonaro e a ineficiência no combate à fome

A Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, afirma que em 29 anos de luta contra a falta de comida no prato dos brasileiros, a instituição se vê diante de “um dos piores momentos dos números da fome desde sua fundação”, em 1993. “Não podemos mais tolerar que 33 milhões de pessoas não tenham o que comer em um país com tanta diversidade como o Brasil. É um retrocesso total”, diz a entidade.

“Apenas 2 anos após o Brasil sair do Mapa da Fome da ONU, em 2014, a Ação da Cidadania já percebia, por meio de sua rede nacional de comitês, que a fome voltava com força”, afirma.

A entidade denuncia um apagão nos dados oficiais. “Com o apagão de dados do Governo Federal, entendemos a importância de apoiar a geração de informação sobre a Segurança Alimentar para que a sociedade tenha a real dimensão do problema e possa atuar de forma efetiva no sentido de acabarmos, de uma vez por todas, com a fome no Brasil. A pesquisa da Rede Penssan é de suma importância para essa luta – uma luta de 29 anos da Ação da Cidadania, que durará enquanto houver fome”, diz.

O governo federal tem feito constantes reduções no programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar em 2022, o que, segundo especialistas, colabora com a insegurança alimentar das camadas mais pobres da população. Bolsonaro também acabou com o Bolsa Família e colocou no lugar o Auxílio Brasil. O programa tem recebido inúmeras críticas desde sua criação por sua característica eleitoreira e pouco técnica.

De acordo com a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (8), o maior percentual de pessoas em situação de fome está entre quem solicitou e não recebeu o auxílio emergencial, criado pelo Congresso Nacional para o primeiro ano da pandemia. Este é o caso de ao menos 63% das pessoas em situação de fome no país. Este grupo é seguido por 48,5% das pessoas que sequer conseguiu solicitar o benefício, que era administrado pelo governo federal.

A margem de erro da pesquisa Penssan é de 0,9 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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