BOLSONARO É UM MENTIROSO CONTUMAZ E TENHO PROVAS

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insiste em mentir, reiteradamente. Desde 2019 ele afirma ter provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas e até hoje, nada de apresentar as provas. Há três semanas ele afirmou que provaria, pasmem, que as eleições de 2014 também teriam sido fraudadas. Segundo o presidente da República, ele traria provas robustas, que não deixariam dúvidas.

Todos esperaram as provas – ok, nem todos, alguns já estão calejados da verborragia presidencial. Mas muitos esperavam que ele mostrasse algo de novo, algum indício minimamente factível o suficiente para entrar no campo das provas.

Quinta-feira, 29, amanheceu diferente em Brasília. O clima era de tensão no ar. Este colunista que vos escreve, foi ao Palácio do Planalto, aguardar o momento de ir até o Alvorada. Todo um aparato especial foi montado. Mesmo os credenciados para as coberturas presidenciais, que é o meu caso, precisaram fazer um credenciamento especial para a ocasião. No comunicado de pauta avisava que só seriam permitidas equipes que transmitissem ao vivo o talk show/live – o que era mentira, diga-se de passagem, e ainda bem, pois a exigência era realmente absurda.

Ao chegar no Planalto, me deparo com uma equipe de quatro homens carregando caixas e mais caixas pretas, dessas de ferro, com equipamentos para a transmissão. Eram 15h. Um grupo de militares estava reunido na ponta oposta a entrada do laguinho artificial que tem na frente do Planalto, próximo ao parlatório. Eram uns 20 agentes. Entrei.

Ao chegar no comitê de imprensa vi muitos jornalistas apreensivos com o dia. Afinal, estavam todos ali prontos para cobrir o presidente da República apresentando provas contra o sistema democrático brasileiro. Apesar de que, certamente, a maioria sabia o que estava se avizinhando, uma vez que trata-se do mesmo senhor que prometeu mundos e fundos durante as eleições e nada cumpriu.

O deadline para entrar no Alvorada era 18h. 17h20 o cinegrafista me buscou e fomos para o palácio que abriga dezenas de emas e autoridades máximas da República. Ao chegar, apresentei minha credencial para pegar a tal da credencial especial. Depois, passei pela máquina de raio x. Entrei numa van e aguardei alguns instantes do lado de fora, até adentrar ao palácio (veja o vídeo dos bastidores no fim do artigo).

Uma grande estrutura estava montada por lá. Dois telões com um boneco animado sobre o tal do voto impresso, que é a nova cloroquina de Bolsonaro. A capitão chega, senta, fala de tratamento precoce, pesquisas, Lula, corrupção, ataca o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral e nada das provas. Até que chama um coronel da reserva, Eduardo Gomes, um sujeito que ninguém nunca ouviu falar, mas que, depois descobrimos, é funcionário da Casa Civil.

Neste momento, antes de mais nada, o presidente disse com todas as letras, jogando um balde de água fria em seus seguidores mais fiéis, e um “ah, vá”, na mente de todos os jornalistas: não existem provas de que as eleições no Brasil são ou já foram fraudadas.

Segundo o dicionário, um mentiroso é “quem é dado a dizer, a contar mentiras”. Contumaz significa “que ou o que é obstinado, insistente”. Bem, se apegando única e exclusivamente a este fato de que o presidente da República mentiu durante três anos que teria provas de fraudes nas eleições, podemos afirmar, sem medo de errar, que ele é um mentiroso contumaz.

(Ele também mentiu sobre kit gay, centrão, 15 ministérios, fim do toma lá, da cá, cloroquina, mas vamos nos ater a este fato apenas).

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: