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Cartumante: sua vida nas cartas, ou melhor, nos desenhos

Cartumante: sua vida nas cartas, ou melhor, nos desenhos
Imagem: “Feminismo pra quem?”. Ilustradora: Cecília Ramos.

Muitas vezes enquanto estamos navegando na internet nos deparamos com textos e histórias que correspondem exatamente ou ao que somos ou ao que sentimos. E quando essa situação é retratada não só com texto, mas também uma ilustração, dando “vida” aquele nosso sentimento ou, até mesmo retratando uma realidade na qual vivenciamos?

Há algum tempo, uma das ilustrações da estudante de design e ilustradora Cecília Ramos, viralizou nas redes sociais. A ilustração “Feminismo para quem?” questionava o verdadeiro público-alvo de algumas ações do movimento feminista, de forma simples e objetiva. A imagem teve diversos compartilhamentos e trouxe um público cada vez mais diverso para o perfil pessoal da Cecília, que até então não tinha uma conta profissional nas redes sociais.

Imagem: “Feminismo pra quem?”. Ilustradora: Cecília Ramos

Com o objetivo de reunir os novos seguidores em uma conta independente do perfil pessoal, Cecília Ramos criou o “Cartumante”. O nome escolhido é uma junção da palavra “cartum” – nome dado a desenhos humorísticos que têm o objetivo de fazer críticas de forma leve a acontecimentos do dia a dia – com “cartomante”, pessoa que lê o futuro e ou descobre coisas sobre pessoas por meio das cartas.

“Como muitas pessoas se identificam com os cartuns, se identificam com a vida delas, e fazem aquelas piadinhas de ‘nossa tá me vigiando?’, eu brinco, ‘não é porque eu sou cartumante, está nas cartas sua vida’”, conta sorridente. 

Cécilia conta que sempre gostou de desenhar e desde sempre soube que queria trabalhar com ilustração. Quando chegou o momento de escolher o curso de graduação ela optou por design. “Eu escolhi design mais por uma questão burocrática, porque não queria me assumir nas artes visuais e foi acontecendo. Criei uma comunidade com uma página e percebi que dava para monetizar”, relembra. Aos 23 anos, Cecília Ramos está concluindo o curso de design na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

O Cartumante cresceu e tornou-se uma empresa que oferece, além dos cartuns publicados no perfil do Instagram, a ilustração de produtos como roupas e também ilustrações personalizadas. “Nosso faturamento é principalmente vendendo serviços relacionados à ilustração, tanto para pessoa física quanto para empresas. Mas também temos o e-commerce, que é a loja que a gente vende as coisas e faz eventos”, explica. 

Cecília Ramos, criadora da marca Cartumante. Foto: Cecília Ramos

Os desenhos da Cecília retratam o cotidiano da vida, os tabus como sexualidade, menstruação e também a morte. Ela conta que a inspiração para os cartuns vieram de artistas que ela acompanhava na internet, como a ilustradora e quadrinista manauara Laura Athayde; a Rafaella Fabiani – conhecida pelo nome de Momorsa; e o quadrinista e tatuador Diego Sanhez.  

Os temas abordados por Cecília Ramos nos cartuns são inspirados em fatos do cotidiano e também em situações que lê no Twitter. “Mescla entre ser uma coisa meio aleatória, de passar um filme na minha cabeça de uma cena que seria engraçada e como seria transformar isso para a linguagem de tirinha.  Mas às vezes é só um tweet engraçado que eu vi e acho que seria incrível transformar em uma tirinha. Nesses casos eu dou crédito pelo tweet. Mas é só uma explosão de ‘cara, achei essa ideia feliz ou triste e quero compartilhar com as pessoas”, explica. 

Um cartum, uma ilustração ou história em quadrinhos, até ficar pronto e chegar às mãos do leitor, seja por meio virtual ou físico, requer muito estudo sobre cores, expressões corporais, roteiro dentre outros fatores que envolvem também muita pesquisa. Em outubro deste ano, Cecília Ramos escreveu um roteiro e fez uma história em quadrinhos para comemorar o Halloween. O tema era terror, mas tinha uma questão: quem escolhia o final da história eram os seguidores, por meio de uma enquete.  

A forma divertida de escolher e incluir o público na criação de uma história foi uma maneira que a Cecília Ramos encontrou de se aperfeiçoar na escrita de roteiros. Ela explica que haviam dois finais pré-estabelecidos e que, independente do desfecho escolhido, ela já o tinha escrito. “Foi bem divertido. Eu vi que o pessoal gostou, eu vi que a galera interagiu bastante. E foi uma coisa que saiu da minha zona de conforto porque foi a única vez que eu fiz uma história contínua, sem ser uma tirinha”, explica. Ficou curioso para descobrir o final da primeira história em quadrinhos da Cecília? Corre lá no Cartumante. 

SIB

A Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB) é uma associação, sem fins lucrativos, que visa, desde a criação em 2001, estimular a valorização institucional das ilustrações brasileiras e também compartilhar ideias, projetos, oportunidades e pontos de vista sobre as artes visuais. A comunidade reúne ilustradores de vários pontos do país, dentre eles a produtora e animadora, Cecília Esteves.   

“Nessa associação que era livre, participava quem queria, a gente tinha uma anuidade, tinha um conselho que ajudava a formatar o site, de informações, de exposições e tudo mais e tínhamos uma lista de discussões que era aberta a todo mundo, todos podiam participar”, explica. 

Cecília Esteves explica que a SIB funcionou durante 14 anos, porém as atividades foram encerradas há algum tempo. No entanto, de forma voluntária, alguns integrantes da associação mantêm o site aberto e alimentam as redes sociais da SIB, compartilhando os trabalhos dos ilustradores no perfil da Sociedade no Instagram, principal ferramenta de trabalho do grupo no momento.

Anualmente, durante dez anos, a SIB organizou exposições e compartilhou diversos tipos de informações, como sugestões de preço que poderiam ser usadas por ilustradores no momento de determinar o valor das produções e demais informações sobre o mercado de trabalho, além, é claro, de divulgar o trabalho de diversos artistas. Hoje, o site é considerado um acervo e pode ser acessado clicando aqui

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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